Por Sérgio Brandão* 

Conheci melhor Aroldo Fedato quando ainda estava na tv da Universidade Federal, apresentando e produzindo o programa “Persona”. Isso deve ter sido no início de 2007, se não me engano. A cena retratava o encontro do ídolo com um dos fãs mais chatos que ele deve ter tido.

fedatoQuando cheguei no apartamento dele para a gravação, lembrei da minha época de criança, quando ele ainda era proprietário da maior loja de artigos esportivos de Curitiba – A Fedato Eportes- aliás, a única em Curitiba que vendia quase tudo de material esportivo. Depois surgiu a Az de Espadas, como concorrente. Mas continuei frequentando a Fedato Esportes, por razões óbvias.

Arrumava alguma coisa para ir ao centro da cidade, mas o programa especial estava na Ébano Pereira. Ficava sondando a vitrine só para ver se ele estava ali pela frente da loja. As vezes dava sorte. Quando isso acontecia, entrava e arrumava uma desculpa para chegar perto de Fedato. Timidamente pedia um autografo e ia embora. Devo ter conseguido uns 10 autógrafos. Tive todos eles por um longo período. Eu nem imaginava, mas na época ele devia me identificar como o menino dos autógrafos. Sem dizer nada, apenas sorrindo, ele pegava um pedaço de papel e fazia um rabisco.

A última vez que isso aconteceu, ele me viu entrando na loja e como já estava perto do balcão, puxou uma folha de papel e antes que chegasse perto e pedisse o autógrafo, ele esticou o braço e me entregou o papel já com o rabisco do seu nome. Fiquei com vergonha e nunca mais voltei. Por um bom tempo nem passei na frente da loja. Quando ficava com saudades, queria ver ele, ficava do outro lado da calçada, em frente das Americanas, na Ébano Pereira.

Nunca o vi jogar. Passei a frequentar estádio anos depois da aposentadoria de Fedato. Nico e Bequinha já eram os substitutos. Precisamente Nico, o camisa 2 da zaga Coxa.

Quando entrei na casa de Fedato, em 2007, para a entrevista da tv, pensei em contar esta história e me identificar como o menino dos autógrafos, mas já com alguns problemas de saúde, achei melhor poupá-lo deste exercício de buscar pela memória que para ele, imagino, seria difícil. Também ainda restava um pouco da vergonha que passei quando me deu o autógrafo, sem que eu pedisse. Vai que ele lembra de mim.

Passei a entrevista inteira pensando naquilo e de todo aquele período. Tentando imaginar como seria o sentimento de um craque nos anos 40 e 50.

Fizemos uma conversa de idas e vindas pelo futebol moderno e da época que jogou. Saí dali com a certeza que no mínimo vivemos dois períodos muito, mas muito distintos. O que na verdade não é novidade para ninguém. Mesmo não tendo vivido o futebol destes anos de 40 e 50, acho mais mágico, mais bonito, mais romântico que o de hoje. As imagens que alimento desta época, também são em preto e branco.

* Sergio Brandão jornalista há 30 anos, trabalhou em várias áreas da profissão, tendo se especializado em comunicação para televisão desde 1983. Hoje é jornalista frela.  Trocou a vida sedentária e seus quase 90 quilos em 2000, pelo esporte. Quase 13 anos depois, acumula em seu currículo dezenas provas de triathon, duathlon, 12 maratonas e inúmeras corridas de rua