Quase um milhão de paranaenses de baixa renda serão beneficiados pelo Programa de Eficiência Energética (PEE) da Copel nos próximos dois anos. Orçado em R$ 92 milhões, o programa prevê a substituição de lâmpadas, refrigeradores, chuveiros elétricos e sistemas de aquecimento de água por equipamentos mais eficientes em residências de famílias carentes e instituições assistenciais.

“Os projetos para combater o desperdício de energia no segmento de baixa renda representam um benefício direto não apenas para as famílias e entidades beneficentes, com a diminuição da conta de luz, mas contribuem de modo significativo também para o sistema elétrico”, explica o diretor de Distribuição da Copel, Vlademir Santo Daleffe. “O descarte de equipamentos elétricos pouco eficientes reduz a demanda por energia, o que alivia a exigência sobre o sistema interligado e permite postergar a construção de novas usinas”.

Ao todo, 215 mil famílias carentes e 580 entidades assistenciais de 186 municípios do Paraná terão substituídos, até 2014, 40 mil refrigeradores e 30 mil chuveiros, além de 650 mil lâmpadas convencionais por eficientes. Comunidades situadas em ilhas isoladas no litoral paranaense também receberão, além destes itens, sistemas de captação de energia solar para aquecimento de água em suas residências.

DIAGNÓSTICO – A substituição dos equipamentos pouco eficientes foi precedida pelo diagnóstico energético das 215 mil residências elencadas. A avaliação técnica determinou quais equipamentos seriam trocados, seguindo o critério de maior potencial de redução de desperdício.

Todas as famílias terão um jogo de três lâmpadas incandescentes substituídas por compactas fluorescentes, que duram mais e consomem menos, com uma iluminação equivalente. Já os refrigeradores em piores condições vão dar lugar a modelos com selo Procel de eficiência. Os chuveiros elétricos serão trocados por similares e equipados com recuperador de calor, um engenhoso dispositivo que preaquece a água antes que ela chegue ao chuveiro, permitindo utilizar um equipamento de menor potência.

CONFORTO – Para muitas famílias, o programa de eficientização representa mais do que economia na conta de luz. Elas também ganham qualidade de vida. Na casa de Maria Aparecida de Souza, no Jardim Sabará I, em Londrina, o chuveiro não poderia chegar em melhor hora. Há alguns dias, o equipamento antigo estragou de vez e a água do banho vinha sendo aquecida no fogão à lenha da casa, onde mora há 30 anos.

Atenta ao consumo de energia elétrica, Maria Aparecida se informou sobre a potência do novo chuveiro e ficou feliz em saber que, por ser econômico, o equipamento deverá ajudar a família a manter-se na faixa de consumo do programa Luz Fraterna, do governo estadual, que isenta de pagamento faturas com consumo de até 100 kWh (kilowatt-hora).

ENTIDADES – Praticamente todas as entidades que prestam assistência à população de baixa renda no Paraná foram contempladas com lâmpadas e chuveiros mais eficientes, que garantem economia na conta de luz. No diagnóstico energético realizado junto a este segmento, diferentemente do projeto residencial, serão substituídas todos os jogos de lâmpadas incandescentes e fluorescentes por equivalentes mais eficientes, e todos os chuveiros por equipamentos com recuperador de calor.

O Lar Padre Leone – que acolhe pessoas idosas com necessidade de cuidados permanentes, em Ibiporã – é um exemplo. Lá, além das lâmpadas, foram substituídos dez chuveiros antigos pelo modelo econômico com recuperador de calor. A tesoureira voluntária da entidade, Marilza de Toledo Coloniezi Oliveira, já sabe onde o dinheiro poupado será aplicado: “Investiremos na manutenção predial. Temos diversas necessidades e, ainda, o sonho de construir um prédio novo no lugar das casas mais antigas do lar”, adianta.

Em Ponta Grossa, uma das instituições beneficiadas é o Asilo São Vicente de Paulo, entidade que atende em regime de moradia permanente cerca de 120 idosos, a maioria sem vínculos familiares. Segundo a entidade, a expectativa é que esses novos chuveiros gerem uma economia de até 45% na conta de luz.

O responsável pelo asilo, Antonio Zander, conta que a fatura de energia gira hoje em torno de R$ 3,6 mil e o dinheiro que for economizado será revertido para a compra de alimentos, maior despesa da instituição.

13 ANOS – Desde o ano 2000, a Copel investiu mais de R$ 200 milhões – recursos equivalentes a 0,5% de sua Receita Operacional Líquida – em projetos de eficiência energética, que estimulam e ampliam a eficiência do uso da energia elétrica pelo consumidor final. Os investimentos atendem ao contrato de concessão de distribuição de energia, Lei 9.991/2000, seguindo critérios definidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Desde então, a Copel elabora anualmente projetos de eficientização energética que contemplam principalmente serviços públicos essenciais – como hospitais, escolas públicas e universidades – consumidores de baixa renda, comunidades indígenas e quilombolas. A Companhia também foi a primeira a realizar chamadas públicas para financiamento de projetos de eficientização nos segmentos industrial, poder público, serviços públicos e comércio e serviços.