Em Curitiba, 17% das interrupções do fornecimento registradas em 2012 tiveram árvores como causa. Das 300 mil unidades hoje plantadas na zona urbana da capital, 88 mil – ou 30% – se encontram sob a rede elétrica, sendo três mil indicadas para substituição devido à idade avançada ou tamanho inadequado.

“Ao contribuir para a implantação de espécies de árvores mais adequadas para a convivência com as redes elétricas, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) reduz o risco de acidentes com pessoas e com as redes, além de reduzir os indesejáveis transtornos causados por desligamentos”, esclarece o diretor de Distribuição da Companhia, Pedro Augusto do Nascimento Neto.

Árvores de grande porte plantadas sob a rede elétrica são a principal causa de quedas de luz nas cidades nesta época do ano. Em dias de vento forte e temporal, seus galhos tocam ou caem sobre os fios de energia, provocando curtos-circuitos que interrompem o fornecimento de modo automático, e árvores inteiras quebram-se ou são arrancadas do solo, rompendo os cabos e pondo em risco a vida de motoristas e pedestres.

CONVÊNIOS – Nos últimos quatro anos, a Copel firmou convênio com 35 prefeituras paranaenses para promover o plantio de mudas de espécies que não alcançam a rede quando adultas, e substituir as que apresentam risco de queda. No período, foram removidas 3,7 mil árvores e fornecidas 12,5 mil mudas de espécies nativas para a execução de planos diretores de arborização.

No caso da capital paranaense, que assinou o convênio no ano passado, as três mil árvores já condenadas serão substituídas até 2017. Além de fornecer cinco mudas de espécies adequadas para cada árvore substituída, a Copel também cedeu uma equipe especializada na execução de podas sem necessidade de desligar a rede elétrica.

Ao longo do último ano, o município de Jaguapitã, 40 quilômetros ao norte de Londrina, pôde substituir 156 árvores antigas e ainda acrescentar cerca de 500 mudas novas às vias públicas, graças ao convênio com a Copel. A parceria deu tão certo que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente já solicitou sua renovação por mais um ano. De acordo com o secretário Adriano Damasceno Silva, as principais vantagens foram diminuir o risco de acidentes e o prejuízo que poderia ser causado pela queda de árvores antigas.

O trabalho renovou a arborização com espécies de médio porte escolhidas pelo próprio município, como canelinha, escova-de-garrafa (calistemo), extremosa e cerejeira do japão. O secretário afirma que o trabalho teve grande aceitação por parte da população, principalmente por causa da sombra: “Havia lugares onde há muito tempo não havia árvores, e novos conjuntos habitacionais que agora serão sombreados, amenizando o calor e proporcionando melhor qualidade de vida aos moradores”.

Árvores impróprias também causam danos aos equipamentos urbanos. Em Francisco Beltrão, são comuns as calçadas danificadas por raízes de espécies de grande porte, como ligustro e cinamomo. Elas estão entre as 700 unidades de diferentes tipos a serem substituídas nos próximos meses, de acordo com o convênio firmado com a Copel, que também vai melhorar o desempenho do sistema elétrico do município. “A adequação das espécies contribuirá para a redução gradativa desses problemas ao longo do tempo”, afirma a bióloga da prefeitura, Ádila Cristina Krukoski.

PLANO DIRETOR – Jonel Iurk, diretor de Meio Ambiente e Cidadania Empresarial da Copel, ressalta que a revitalização só é eficaz quando prevista em um plano municipal de arborização. “Árvores e rede elétrica são elementos imprescindíveis da infraestrutura urbana, mas harmonizar esta convivência só é possível por meio de um planejamento de médio e longo prazo”.

Às prefeituras interessadas em adotar um Plano Diretor de Arborização, a Copel publicou em 2008 um guia detalhado que orienta os gestores municipais sobre todos os aspectos envolvidos na readequação da “floresta urbana”. O guia está na segunda edição e disponível no site da concessionária na internet.

Entre outras recomendações, a publicação indica os critérios para remover ou substituir árvores consideradas de risco. “Isto ocorre quando elas apresentam defeitos estruturais que tornam frágeis algumas de suas partes ou toda a estrutura”, explica Luciana Leal, engenheira florestal da Copel. “Nestes casos, a troca é feita por mudas da mesma espécie ou de espécies adaptadas ao local e à região”.

Segundo Luciana, a troca é uma alternativa à realização de podas drásticas para manter os galhos a uma distância segura da rede elétrica, mas deve ser feita aos poucos. “A paisagem sofre uma grande mudança quando ocorre a retirada de um exemplar adulto e a colocação de uma muda. Nestes casos, recomendamos a substituição gradual, com plantio de novas árvores ao lado das árvores antigas”, diz.

DECISÃO TÉCNICA – A implantação do programa de arborização é precedida de reuniões entre os técnicos da Copel e da prefeitura, para discutir a escolha de espécies, técnicas de poda a serem empregadas e áreas prioritárias para a substituição. A principal medida, porém, é esclarecer a população sobre a importância do projeto.

Antes de remover 270 árvores condenadas em Atalaia, cidade de quatro mil habitantes na Região Noroeste, os funcionários da prefeitura tiveram um grande trabalho para contornar a desconfiança dos moradores. “Foi preciso explicar os problemas que elas apresentavam e os riscos de não fazermos nada”, conta o técnico agrícola da prefeitura, Airton Peres de Andrade.

O convênio com Atalaia contemplou a doação de 725 mudas para uso em diversos fins. Espécies de médio porte, como cerejeira-do-japão, escova-de-garrafa e extremosa foram plantadas sob a rede elétrica. Já as espécies canela-de-cheiro, ipê-roxos e dedaleiro, de grande porte, foram destinadas às calçadas do outro lado da via, sem fiação elétrica.

A prefeitura também teve o cuidado de selecionar uma grande variedade de árvores para o plantio. “A diversidade de espécies é fundamental para a segurança sanitária da arborização, uma vez que reduz os riscos de perdas com pragas e doenças”, justifica o engenheiro florestal Murilo de Lacerda Barddal, gerente do Departamento de Biodiversidade da Copel.

HORTOS – A Copel produz, anualmente, em três hortos próprios, 20 mil mudas de árvores exclusivamente para o fornecimento aos municípios paranaenses. A meta é chegar a 70 mil até 2014. Entre as espécies mais comuns destacam-se as nativas caliandra, vacum, ipê, pinheiro-bravo, pitanga, aroeira-salsa e canela-de-cotia, e as exóticas hibisco, cerejeira-do-japão, coreutéria, calistemo e extremosa.

Paralelamente ao convênio com as prefeituras, a Copel também adotou recentemente um novo padrão construtivo para suas redes de alta e baixa tensão, utilizando cabos compactos ou isolados, que ocupam menor espaço e reduzem a necessidade de podas drásticas em árvores de grande porte. A medida visa preservar espécies que, embora plantadas de modo equivocado, estão saudáveis e cujo crescimento não constitui risco para o fornecimento de energia ou para os pedestres e veículos.