Após a queda do segredo de justiça, a polícia divulgou nesta quarta-feira (27) o inquérito que indiciou a médica Virgínia Soares Souza por homicídios qualificados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico de Curitiba.

Depoimentos apontam para a redução de medicamentos como Pavulon e Proposol, associados a baixa oxigenação para antecipar as mortes de pacientes terminais. Pelo menos seis óbitos estão sendo investigados.

O inquérito aponta a interceptação de gravações telefônicas de ramais do Hospital Evangélico. Alguns trechos apontam manifestações da médica no sentido de antecipar as mortes.

Num primeiro momento, circulou na imprensa a informação de que um policial com formação em enfermagem teria sido infiltrado na equipe da Dra. Virginia para recolher provas. Ontem, no final da tarde, a Polícia Civil emitiu uma nota afirmando que não infiltrou o policial na UTI, porque isso se tornou inviável do ponto de vista operacional. Dessa forma, teria optado apenas pela interceptação telefônica autorizada judicialmente.

Confira trecho de conversas interceptadas que constam no inquérito:

Dia 24 de janeiro de 2013, segundo o inquérito.

Virgínia – “Esse foi caprichado, né?”.

Médico – “Esse foi. Quadro clínico bonito, caprichou. Bem na hora que nós estamos tranquilos”.

*Virgínia – “Nós estamos com a cabeça bem tranquila para assassinar, para tudo, né?”.

* No trecho em que a médica apareceria falando a palavra “assassinar”, há peritos que teriam interpretado a palavra como “raciocinar”. Se a interpretação for essa, a frase teria outro sentido.

No dia anterior, a polícia já havia capturado outro diálogo entre a médica e outro funcionário não identificado:

Virgínia – “Pode ser que ele diga o sobrenome, porque ele está bem espertinho. Agora o outro está morto”.

Médico – “O outro está feio na foto”.

Virgínia – “Está quieto, tem que deixar quieto. A hora em que parar o respirador – foi – pelo amor de Deus”.

Médico – “Ah, tá. Não, tranquilo”.

Em outro trecho:

“(Virgínia): – Eu falei, é, bom… como sobrou gente para trabalhar comigo, que saiu todo mundo do centro cirúrgico, eu consegui fazer. Ele ficou me olhando.

Outra coisa, você não dá a porra de uma alta!

(Cláudio): – Mas também não tinha tanta gente assim!

(Virgínia): – Ah, vai, Cláudio, não força. Não adianta entulhar a UTI. Tem que girar.

(Anderson): – Ele é meio entulhador mesmo… Ele é meio entulhador.

(Virgínia): – Meio??

(Anderson): – Ó, eu fiquei com cinco doentes, daí no final do dia eu tinha sete, daí hoje nós temos já onze. Falta chegar um. São doze. Mas se você der uma vaga, pronto. Mas se entulhar tudo também não vai, né! A Eliza já é uma empata. Nossa senhora! Quero desentulhar essa UTI, que tá me dando coceira.

(Virgínia): – Huhu! Ai, ai…”

Em outro trecho interceptado, Virginia fala o nome do próximo paciente que iria morrer:

“(Virgínia): – O Alexandre achou no Paulo vaso aberto pra tudo que é lado, mas eu falei, ele vai morrer, eu sabia que ele ia morrer.

(Interlocutora Não Identificada): – Ele ficou cinco minutos.

(Virgínia): – Um minuto?

(INI): – Não, cinco minutos, foi muito rápido!

(Virgínia): – Eu falei, ele vai morrer… Eu falei, Crícia, pelo amor de Deus, tem alguns doentes que estão mortos, então vai desligando as coisas, que não tem sentido!

(INI): – Ah, não, eu desliguei!

(Virgínia): – Oi?

(INI): – Eu desliguei pra ela, ela estava no telefone com a doutora dela, ela me pediu.

(Virgínia): – E o próximo que vamos desligar é o Ivo”.