A cuidadora de idosos Maria Jacira de Azevedo sabe bem o que são meses de espera para uma cirurgia no Sistema Único de Sáude (SUS) de Curitiba. Ela aguarda uma cirurgia no ombro direito há cinco anos depois de muitos movimentos repetitivos por causa do trabalho. Maria tem 53 anos e mora no Jardim Gabineto, bairro Campo Comprido. “Eu tenho uma sensação de que não sou nada no mundo”, desabafa.

De acordo com a paciente, ela já realizou dois exames pré-operatórios durante esta espera. Ambos têm validade de apenas seis meses. “A última bateria de exames para fazer a cirurgia já está com quatro meses e não sai este procedimento, enquanto isso fico com muita dor. Pra quê então eles pedem estes exames? É dinheiro de todos que está indo embora”, lamenta Maria.

Os ombros de Maria têm os tendões rompidos por causa da repetição de movimentos no trabalho. Segundo ela, um está totalmente rompido e o outro segue para o mesmo diagnóstico. “Teu problema é sério, a doutora me disse que meu tendão direito está totalmente rompido e o esquerdo estava com 20%”, explica. Inclusive, segundo a cuidadora, ela teria de se aposentar por invalidez segundo um dos médicos que atenderam Maria Jacira. “Eu estou com muita dor, mas preciso trabalhar para ter dinheiro”.

As respostas para a paciente não são consistentes, segundo ela. “Dizem que assim como eu estou esperando, muitas estão também, então não tem o que fazer. É um descaso porque a gente que tem dor sabe o quanto é complicado”.