Por Felipe Ribeiro e Flávia Barros

Foto: Flávia Barros – Banda B

Com impasse no valor do vale-alimentação, motoristas e cobradores de Curitiba e região metropolitana decidiram manter, no começo da noite desta terça-feira (21), a greve da categoria. A decisão saiu após nova proposta feita pelas empresas em audiência no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR). A audiência segue no TRT e as partes ainda tentam chegar em acordo. Com a recusa da categoria até aqui, a frota de ônibus segue mínima. Por volta das 18h30, ela era de 42,48%.

A proposta, que contou com um aval da Coordenação da Região Metropolitana (Comec) e da Urbanização de Curitiba (Urbs), prevê reajuste de 6% nos salários e no vale-alimentação, garantia de que os dias parados não serão descontados e aumento de R$ 10 no abono salarial. Os motoristas e cobradores aceitaram a proposta salarial, mas consideraram o aumento no cartão alimentação muito baixo. A proposta foi recusada por 90% dos 836 trabalhadores consultados. O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc) entende que um aumento de R$ 130 pode encerrar a paralisação.

Segundo o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, a proposta ficou muito distante do que é a realidade do transporte coletivo. “Um ganho no vale-alimentação, uma valorização favorecia muito a negociação. Sabemos que o supermercado subiu muito mais”, disse.

Durante a discussão no TRT, a Comec chegou a anunciar que poderia fazer um repasse de 6,58% nos salários, valor que a Urbs informou que não poderia chegar. Como contrapartida, a Urbs ofereceu o abono de R$ 400 a ser pago no mês de maio. A Comec aceitou, mas condicionante a acontecer junto ao pagamento de férias de cada trabalhador. Hoje o abono era de R$ 390, mas empresários pediam a retirada do benefício.

A greve de motoristas e cobradores de ônibus chegou ao sétimo dia nesta terça-feira. Desde a última quarta-feira, Curitiba tem vivido dia de caos no trânsito. A frota de ônibus do transporte coletivo tem se mantido próxima dos 40%, valor determinado pela Justiça do Trabalho fora dos horários de pico.