Por Felipe Ribeiro e Luiz Henrique de Oliveira

Fotos: Banda B

A entrega de um conjunto habitacional localizado em Pinhais para moradores de Colombo, ambas na região metropolitana de Curitiba, revoltou várias pessoas da fila de espera da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) nesta sexta-feira (6). Isso porque os moradores de Pinhais não consideram justa a entrega do Conjunto Jardim Jerivá para pessoas de outra cidade, sentimento este que é compartilhado pela prefeitura do município.

Uma dessas moradoras que esteve no terreno para protestar se identificou apenas como Tina e contou que aguarda uma casa há cinco anos. “Sou sozinha com os meus três filhos e agora enfrentamos essa situação. Moro em uma área de risco de Pinhais e acredito que deveria ter prioridade nesse espaço”, disse.

No local, alguns dos moradores chegaram ao local com colchões, já com a intenção de invadir as residências que ainda não estão concluídas. A Guarda Municipal foi acionada e continua mobilizada no local para impedir qualquer ação mais exaltada dos manifestantes.

Em nota, a Cohapar disse que 29 moradias não foram ocupadas porque as famílias não passaram pelo critério de avaliação da Câmara Técnica e da Caixa e uma decisão judicial motivou a medida. “Em Colombo, 27 famílias aguardavam novas residências que seriam construídas na cidade com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Porém, este projeto está parado, aguardando recursos do programa do Governo Federal Minha Casa Minha Vida III. Essas famílias residem na Vila Liberdade e foram atingidas pelas obras da Autopista Régis Bittencourt. Por se tratarem de famílias que vivem em área de risco e possuem baixíssima renda, necessitam de moradias populares subsidiadas”, alega a companhia.

Em entrevista à Banda B, porém, o secretário de Governo de Pinhais, Lukala Nóbrega, disse que o programa deveria ser da Justiça Federal e a realocação mostra um desrespeito ao PAC. “É flagrante o desrespeito ao programa que fez quase 700 realocações do municípios e que previa que todas as pessoas seriam realocadas dentro do municípios e próximas umas das outras ”, disse.

Na Justiça

Segundo a Cohapar, as famílias de Colombo souberam da situação do conjunto de Pinhais que não haviam sido habitadas e na Justiça, solicitaram a ocupação das residências. De acordo com a determinação do juiz Guilherme de Paula Rezende, o pedido foi deferido e a Cohapar realizou o sorteio das moradias para as famílias nesta semana. “É importante lembrar que a Cohapar somente está cumprindo a determinação judicial, sendo passível de multa de R$ 50 mil reais por dia, caso se oponha”, conclui a nota da companhia estadual.

A Prefeitura de Pinhais entende a medida da Cohapar como um desrespeito e também tenta reverter a decisão. “Já entramos com medidas judiciais, impetramos recursos para reverter a decisão. A Cohapar precisa voltar a pagar o aluguel social, até porque é inaceitável que coloquem essas pessoas na rua e depois tragam para o nosso município”, concluiu o secretário Nóbrega.