As vezes a gente tem a impressão que lá fora começa uma guerra entre motoristas e ciclistas. Na verdade todos os dias têm um ciclista atropelado, principalmente em São Paulo e isso já faz muito tempo. Todos os dias, em todos os lugares, sempre teve um ciclista atropelado. Alguns morrem e ultimamente isso vira notícia. Antes não era, agora é notícia. Quem sabe, talvez seja interessante tentar transformar o que é notícia em campanha educativa. Sair deste foco que bicicleta é a solução para o caos que vive o transporte urbano.

Os atropelamentos ganham espaço nos noticiários porque nem ciclistas e nem motoristas, são educados. Muitas vezes o ciclista abusa do fato de ser o mais frágil e acha que pode tudo. Do outro lado, o motorista abusa da força bruta, da falsa informação e falta de educação. A maioria ainda acha que bicicleta é brinquedo ou acessório esportivo e não transporte.

Ambos precisam ser reeducados. Administradores municipais ajudam se pensarem nas cidades com bicicletas como meio de transporte. Isso demora, mas precisa começar.

Otávio Tavares, ciclista Curitibano, há duas semanas na Bélgica, me faz relatos que indicam um mundo inteligente entre bicicletas e carros. A convivência pacífica vai além do respeito. Lá, andar de bicicleta é hábito.

Aliás, Otavinho como é conhecido, fica por lá uma longa temporada, onde disputa uma série de provas conhecidas como Spring Classics (clássicas de primavera). Também o Tour de Flandres, Paris-Roubaix, e outras provas também importantes no calendário europeu.

Entre tantas coisas, talvez seja o que também falta por aqui, nos acostumar com vias interditadas para provas ciclísticas e ver entre atletas, crianças pedalando pelas ruas. Com raras exceções, crianças, as pessoas ainda respeitam.

Por aqueles lados do mundo, ciclismo é como futebol por aqui, tem todo fim de semana. Além de Otavinho, vários brasileiros fazem clínicas num mundo que apenas de longe conseguimos imaginar, e as informações chegam através de atletas que as vezes bancam do próprio bolso o intercâmbio com países onde o ciclismo é forte.

No último fim de semana, Murilo Fischer figurou entre os profissionais na prova de Gent- Welegem, Bélgica. Hoje, Murilo mora na Europa, como todos que sonham com o ciclismo profissional.

Nas últimas semanas, o frio e a neve castigaram ciclistas e o público. As provas estão sendo disputadas com temperaturas (bem) abaixo de zero. Em um dos relatos de Murilo, as provas só não estão sendo canceladas em respeito ao público que debaixo até de tempestade de neve, vai para as ruas gritar o nome de seus ídolos, assim como gritamos por aqui, só que nos estádios, por um outro esporte, e com temperaturas bem mais favoráveis.