As chuvas têm prejudicado as operações no Porto de Paranaguá, principalmente as exportações de granéis. Desde o início de janeiro até esta terça-feira (19), foram registrados 27 dias, 6 horas e 24 minutos de paralisações em função do mau tempo.

De acordo com o superintendente dos portos de Paranaguá e Antonina, Luiz Henrique Dividino, caso o tempo tivesse contribuído, o Corredor de Exportação poderia ter escoado, no mês de março, o dobro do volume que foi embarcado até agora. “Além da chuva que tem nos prejudicado, ainda temos a complicação de estar trabalhando simultaneamente com dois produtos. O milho ainda está sendo escoado, concorrendo com o escoamento da soja”, disse. “Mas pela programação de navios, vemos que estão nomeadas poucas embarcações para receber o milho e, dentro de poucos dias, poderemos dar vazão à soja”, explicou o superintendente.

De acordo com o Simepar, as chuvas que têm atingido o litoral do Paraná nos últimos dias são causadas pela circulação marítima. No entanto, os volumes pluviométricos registrados estão dentro da média histórica. Os meteorologistas do Instituto explicam que a característica do outono é o tempo instável e as chuvas serão frequentes, ora ocasionadas por movimentações marítimas, ora por eventuais frentes frias.

Nos meses de janeiro e fevereiro foram exportadas pelo Corredor de Exportação 2 milhões de toneladas de grãos, sendo 942 mil toneladas de milho, 512 mil toneladas de soja, 543 mil toneladas de farelo de soja e 31 mil toneladas de trigo. O volume é praticamente igual ao exportado no mesmo período do ano passado, com destaque para as exportações de milho, que tiveram alta de 288%.

NAVIOS – No porto, não só a chuva é responsável por paralisar as operações. A elevada umidade do ar ou a ameaça de chuva já bastam para que os porões sejam fechados e os embarques interrompidos. Ao menor sinal de umidade, grãos como a soja são danificados e a carga é perdida.

Apesar de não haver solução para este tipo de entrave em nenhum porto do mundo, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina tem trabalhado, junto com alguns pesquisadores, soluções de cobertura de porão de navios que possibilitem a exportação de granéis com chuva. No entanto, o projeto ainda está em fase de estudos.

Com as constantes paralisações, o Corredor de Exportação, que consegue embarcar uma média de 80 mil toneladas por dia quando o tempo está seco, está embarcando menos da metade deste volume, o que atrasa bastante a liberação dos navios.

Na manhã desta quarta-feira (20), 73 navios aguardavam ao largo para carregar grãos em Paranaguá. No entanto, apenas quatro deles possuem carga completa e estariam aptos a embarcar. Outros 18 apresentam carga parcial e 53 não possuem carga. Entre os navios que não têm carga nominada, ocorrem duas situações: ou a carga ainda não chegou do interior ou não foram sequer negociadas.

“Em Paranaguá, os navios que não tem carga negociada, seja em função da não finalização dos lotes a embarcar, seja por falta de negociação de destino, em algum momento os embarcadores sabem que terão esta condição resolvida e conseguirão a carga”, explica Dividino.

CAMINHÕES – Paralelamente a Administração dos Portos do Paraná tem monitorado com rigor a emissão das senhas para os caminhões por meio do sistema Carga on Line. O embarque atrasado por conta da chuva interfere também na descarga dos caminhões. Os armazéns cada vez mais cheios têm sua capacidade de estocagem diminuída.

“Estamos controlando a distribuição de senhas para evitar que a chuva também traga problemas de fila nas estradas. Até agora, temos conseguido. O nosso objetivo é melhorar a logística e as condições de atendimento dos caminhoneiros que não podem ser simplesmente largados nos acostamentos das estradas”, explicou Dividino.