A comitiva paranaense que esteve no Japão conheceu tecnologias empregadas em equipamentos como condicionadores de ar, compressores, bombas de calor, impermeabilizantes e smart meters. Os empresários também conheceram softwares de monitoramento, mensuramento e controle que têm como objetivo a coeficiência energética aliada a alto desempenho.

O representante do Centro de Eficiência Energética do Japão, Mitsuo Harada, informou que modernos edifícios recentemente construídos no País, como o Mori Tower, apresentam um pacote de soluções voltadas ao uso inteligente de energia.

De acordo com o gerente do ECCJ, Fumio Yamada, o certificado ISO 50001 especifica os pré-requisitos para conduzir diferentes processos e a implantação deste padrão reduz a emissão de gases estufa e os custos de energia, além de melhorar a imagem da empresa no âmbito corporativo.

Ao todo, apenas 18 empresas no Japão possuem este certificado, até em função do seu relativo ineditismo (constituído em 2011). Companhias como a Tokyo Energy Service Co. Ltd. (provedora distrital de energia) passaram por uma rigorosa auditoria, permitindo que as mesmas identifiquem setores que consomem significativamente energia, determinando ações que priorizem seu uso mais eficiente e econômico.

SMART COMMUNITIES – Recebidos pelo prefeito Toshihiko Oda, a comitiva se familiarizou com o projeto piloto de baixa emissão de carbono em execução no município, denominado Low-Carbon Society Pilot Project.

Iniciado há dois anos, o projeto é composto por 35 empresas, incluindo Toyota, Denso, Fujitsu, Mitsubishi, além do poder público local. O projeto contempla especialmente residências, através da introdução de um pacote de soluções otimizadas voltadas para o uso racional e eficiente de energia.

Segundo Kazuya Suzuki, representante da Dream Incubator (empresa integrante do projeto), até o fim de 2012, eram 200 residências contempladas e em pleno funcionamento, constituindo uma das principais Smart Communities do Japão.

Além do uso de equipamentos ligados ao setor energético – geradores eólicos, fotovoltaicos, fuelcell’s de hidrogênio, medidores e sistemas de gerenciamento – o projeto apresenta soluções na área de transporte público, por meio não só de ônibus e carros elétricos, bem como pela adoção de sistemas de monitoramento de tráfego de última geração, prevendo com exatidão acidentes e congestionamentos.

Outra característica deste projeto é a introdução de estações de abastecimento fotovoltaicas para automóveis híbridos (elétricos). Ao todo são 21 pontos gratuitos de abastecimento espalhados pelo município, que além de fornecer energia ao automóvel, repassam o excedente a rede.

SMART CITIES – Após a apresentação do ECCJ, as soluções sustentáveis direcionadas especificamente ao desenvolvimento de Smart Cities no Brasil foram apresentadas pelo diretor da Hitachi, Michinaga Kohno.

Com sede em Tóquio e contando com cerca de 320 mil funcionários em filiais na Europa, América do Norte, América do Sul, Ásia e outros continentes, a empresa, que atua no Brasil desde 1960, anunciou investimentos de US$ 300 milhões em pesquisa e desenvolvimento em diferentes setores (até 2015), incluindo projetos no mercado de cidades inteligentes.

Para Kohno, a Hitachi define o conceito “Smart City” como um processo contínuo, focado na resolução de toda e qualquer questão associada ao crescimento sustentável das cidades.

Seguindo este princípio, a empresa tem desenvolvido soluções que vão além da infraestrutura energética, abrangendo setores que complementam o conceito de “comunidades sustentáveis”, como saneamento (através de medidores inteligentes que mensuram e reportam o volume, consumo, perdas e a qualidade da água) e controle de tráfego automotivo (por meio de sistemas integrados de monitoramento).

Tokyo Green Building – O diretor do Centro de Eficiência Energética do Japão, Takahisa Motohashi, disse que Tóquio tem um consumo de energia equivalente ao Norte europeu, o que obriga o poder público local a estar se aperfeiçoando constantemente, tomando medidas de prevenção e delineando estratégias não só a fim de garantir o abastecimento integral desta energia à população, bem como reduzir gradativamente as emissões de carbono.

Desde 2000, programas como o “Tokyo CO2 Emission Reduction Program” vem introduzindo medidas visando atenuar esta emissão em cerca de 25%, até 2020.

Para que tais ações e políticas se transformassem em projetos viáveis, foi necessário mapear as emissões por setor. Segundo recente levantamento feito pelo governo japonês, 60% destas é oriundo de pequenas e médias empresas; o setor industrial é responsável por 47%; grandes empresas 40%; residências 26%; e transporte 25%. Assim, para cada setor criaram-se diferentes diretrizes e metas, inclusive contemplando novos negócios e construções.

O programa “Tokyo Green Building”, constituído em 2002, vem regulamentando as novas edificações com mais de 5 mil metros quadrados de área construída, normalizando o uso racional de energia seguindo uma classificação que avalia desde a utilização de fontes renováveis de energia a sistemas de gerenciamento, classificando os novos empreendimentos em diferentes níveis. Hoje, aproximadamente 1.500 edifícios fazem parte deste programa, incluindo a sede do governo metropolitano de Tóquio, que de 1991 a 2008 (por meio deste e outros programas) conseguiu reduzir em cerca de 34%, suas emissões de CO2.