Por Elizangela Jubanski e Geovane Barreiro

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Tragédia matou seis e feriu 15. Foto: Divulgação PRF

O caminhão-tanque que provocou a morte de seis pessoas no grave acidente na BR-277 em julho, em Morretes, no Litoral do Estado, estava a uma velocidade média de 123 km/h. O laudo foi emitido pela Polícia Científica do Paraná e revela que o caminhão estava com o sistema de freio superaquecido. Um contato entre o motorista e o encarregado da empresa está sendo investigado.

De acordo com o delegado de Morretes Antônio dos Santos, responsável pelo caso, o laudo ainda detalha a dinâmica do acidente e de todos os veículos atingidos. “A velocidade média do caminhão quando houve o choque inicial estava em 123 km/h. Também tem no laudo toda a dinâmica do acidente, desde o ponto inicial até a parada do caminhão e do tanque. A velocidade permitida para o trecho é de 60 km/h para veículos pesados”, contou o delegado.

As imagens das câmeras de segurança da Ecovia, concessionária que administra o trecho, foi usada na apuração do laudo, assim como o estado dos veículos e do caminhão, após a colisão. Testemunhas também foram ouvidas na adição do inquérito.

Freios

O laudo afirma que o sistema de freios do caminhão estava superaquecido. “Essas afirmações só vieram corroborar com o entendimento inicial porque o motorista cometeu o dolo eventual, aquele que ele não queria produzir o resultado, o acidente, sem intenção, mas tinha condições de prever que tal resultado poderia acontecer”, explicou.

A prevenção, de acordo com o delegado, poderia ter acontecido um dia antes. “Ele reportou que o sistema de freio teria apresentado falhas, então ele estava ciente dessa situação. Ele contou que ligou para o supervisor e contou”, descreveu o delegado à Banda B.

Sobre o contato do motorista com o supervisor, o delegado afirma que está em investigação. Uma carta precatória foi emitida para a empresa dona do caminhão, que fica em Concórdia (SC). “Se, por ventura, for procedente essa conversa entre o motorista e o encarregado, ciente dessa falha no sistema de freios também, e assentiu que o caminhão descesse, ele também será implicado juridicamente com responsabilidade criminal”, finalizou.

Motorista

Logo após o acidente, o motorista foi encaminhado a Delegacia de Polícia da região. Ele pagou fiança, no valor de dez salários mínimos, e está em liberdade provisória. Já prorrogado, o inquérito policial precisa finalizado até o dia 11 de setembro.

O acidente

O acidente aconteceu por volta das 18h30 no km 33 da BR-277, no dia 3 de julho. Um caminhão-tanque carregado com etanol, que estava sem freio, trafegando pela pista de Curitiba para Paranaguá acertou uma mureta, invadiu a pista contrária e atingiu 12 veículos no sentido Curitiba.

Seis pessoas morreram no acidente: Pedro Idalgo Filho, 55 anos, Luiz Carlos Silva, que salvou a filha bebê, a mãe Caroline Grasmmann, Anderson Luiz Cunha, o filho Gabriel Cunha, e da namorada de Anderson, Ana Carolina. Ao todo, quinze pessoas ficaram feridas e foram socorridas ao Hospital Evangélico, ao Hospital São José, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, e para o Pronto Socorro de Paranaguá.