Da Redação

(foto: Joel Rocha/SMCS)

Já pensou em fazer um piquenique no Calçadão da Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba? Ainda mais à noite? É exatamente o que vai acontecer nesta quinta-feira (16). Para participar, basta chegar ao local com uma toalha, canga, colcha ou qualquer outro pano que possa ser estendido no chão e com uma boa vontade de bater papo com os amigos.

A ideia do piquenique à noite é resultado de um levantamento sobre os lugares vazios da capital paranaense. Realizado a partir de meados do ano passado por um grupo de arquitetas e designers, o estudo identificou os espaços sem uso como vazios social, temporário ou de uso. O calçadão da XV, por exemplo, que de dia concentra o maior movimento de pedestres da cidade, à noite fica completamente desocupado.

“O objetivo é passar um tempo, conversar, fazer um passeio e ocupar um espaço tão significativo para a cidade mas que, nos tempos atuais, só é utilizado pela comunidade durante o dia”, afirmou a arquiteta Danielli Wal, que integra o grupo Coletivo Ponto 41.

Segundo ela, o projeto pretende trazer a arquitetura e o design para mais perto da comunidade e mostrar o que é possível fazer por uma cidade, por um espaço, a partir do envolvimento dos seus habitantes.

A apresentação do estudo será feita durante exposição que deverá acontecer na edição 2017 da mostra “Arquitetura como interface” em data a ser definida.

Além dos vazios temporários, como o da XV, há os vazios de cunho social, onde os referenciais distanciam pessoas que convivem lado a lado. É o caso, por exemplo, de um condomínio de luxo ao lado de uma favela. “Há um muro separando pessoas e pretendemos fazer um trabalho junto com essas comunidades estabelecendo uma interface que permita ocupar também esse vazio” afirma Danielli, contanto que um projeto nesse sentido já está sendo desenvolvido pelo grupo.

Um outro de vazio urbano é o de uso e há muitos desses na cidade, conta a arquiteta, inclusive na região central. São imóveis – terrenos ou edificações – que perderam sua função e estão desocupados levando insegurança para a comunidade, além de um cenário desolador. A proposta, também neste caso, é definir junto com a comunidade, o que se pode fazer para que esses espaços voltem a ser ocupados, conta Danielli.

O piquenique à noite na XV dá início à etapa do projeto de apresentar estes vazios à comunidade, alertar para o fato de que é possível reverter a situação. Antes foi preciso mapear os vazios da cidade, que na sequência, foram analisados e classificados como sociais, temporário, de uso e de representação.

Formado no ano passado pelas arquitetas Isabella Pagnoncelli, Danielli Wall e Milene Gil; e a designer Mayara Wal, o Coletivo Ponto 41 também faz parte do Atelier da Rua, projeto voltado à transformação de espaços urbanos a partir do envolvimento e decisão da comunidade do entorno.  Realidade em Portugal, onde foi desenvolvido pela arquiteta Maria João Pita, o Atelier da Rua já existe na Espanha e, agora também no Brasil, com a associação do Coletivo Ponto 41.

O Atelier da Rua entrou em ação também no ano passado, com o Vaga Viva –  transformação de espaço para carro na rua levando em conta proposta de moradores. A proposta é de um trabalho colaborativo envolvendo comunidade, poder público e iniciativa privada no desenvolvimento de projetos para o espaço urbano.  Para participar acesse www.atelierdarua.org.

O Atelier já conta com uma série de apoiadores, entre eles o Villa Coworking onde acontecem reuniões e encontros do grupo. A colaboração do Villa faz parte da proposta do coworking que atua dentro de princípios de responsabilidade social e ambiental.  Localizado na rua Itupava 157, o Villa oferece estrutura completa, com estacionamento gratuito a seus coworkings e mantém, ao mesmo tempo, uma grade de eventos e atuação colaborativa em uma série de projetos.