da Agência Brasil

A deposição do presidente do Egito, Mouhamed Mursi, é tratada pelo Brasil como “ruptura da ordem democrática”. Mursi foi destituído do poder ontem (3) pelas Forças Armadas e no lugar dele foi nomeado o presidente da Suprema Corte, Adly Mansour. O porta-v04.07.13 - EGITOoz do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Tovar da Silva Nunes, reiterou à Agência Brasil que houve “ruptura” e negou a possibilidade de fechar a embaixada brasileira no país.

“Trata se de uma clara ruptura da ordem democrática devido à destituição de um presidente democraticamente eleito [Mursi] e à suspensão da Constituição”, disse o porta-voz. Segundo ele, o chanceler Antonio Patriota acompanha os acontecimentos no Egito por intermédio da embaixada brasileira, do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Estado do país.

Tovar rebateu a possibilidade, no momento, de fechar a Embaixada do Brasil no Egito, diferentemente do que determinaram os governos dos Estados Unidos e de Israel. “No momento, não se considera necessário”, ressaltou.

Ao ser perguntado se há mudanças no futuro das relações do Brasil com o Egito, o porta-voz disse que ainda é cedo para fazer a avaliação sobre mudanças. “Ainda não se pode falar em mudança das relações. O governo brasileiro deseja que o povo egípcio encontre uma solução dentro da ordem democrática de forma a atender às suas aspirações de uma sociedade mais aberta, mais justa e mais próspera”, destacou.

Proibido

O presidente deposto, Mouhamed Mursi, está proibido de deixar o país por ordem dos serviços de segurança egípcios. A ordem vale também para os colaboradores de Mursi. A medida veta ainda a saída do Egito do líder da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie, assim como de Khairat Al Shater, que também integra a entidade. A Irmandade Muçulmana era o principal apoio político de Mursi. Não há informações sobre o local onde se encontra o presidente deposto.

Por intermédio da rede social Facebook, o conselheiro presidencial na área de segurança, Essam Al Haddad, criticou o que considera ser um golpe militar. A deposição de Mursi ocorreu na tarde de hoje (3), depois que as Forças Armadas deram a ele um ultimato de 48 horas.

Os relatos indicam que o Egito está dividido politicamente entre a oposição a Mursi, os simpatizantes do governo deposto e as Forças Armadas. Desde o dia 30, o país é palco de várias manifestações violentas a pró e contra o governo.

Ontem (2) Mursi ocupou cadeia de rádio e televisão para anunciar que rejeitava o ultimato e ficaria no poder. Representantes da oposição designaram o líder dissidente Mohamed El Baradei para falar em nome deles.