bancarios greve

Assembleia realizada em Curitiba nesta quinta-feira – Foto: Sindicato dos Bancários

Juliano Cunha e Denise Mello

Em assembleia realizada na noite desta quinta-feira (12), mais de 300 bancários de bancos públicos e privados da base do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região rejeitaram a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), de 6,1% de reajuste, e aprovaram, por ampla maioria, indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do dia 19 de setembro, a meia-noite.

Segundo os bancários, a proposta de 6,1% de reajuste sobre os salários e demais verbas não atende as reivindicações da categoria, que tem como prioridades para 2013 o fim das metas abusivas e do assédio moral, a defesa do emprego e a valorização dos salários.

Entre as reivindicações da categoria, estão pedidos de maiores condições de trabalho; reajuste de 11,93% sobre os salários; constituição de um grupo de trabalho para analisar a causa de afastamentos; e maior número de contratações. Além do reajuste, os bancários pedem participação nos lucros e resultados igual a três salários mais R$ 5.553,15, piso salarial de R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese) e auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá de R$ 678 ao mês.

Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Otávio Dias, a greve é por tempo indeterminado e deve acontecer em todo o país. “A insatisfação da categoria é muito grande, não só no Paraná mas no Brasil inteiro. São metas abusivas, assédios morais constantes de um segmento que tanto lucra e, na hora de negociar, apresenta uma proposta de reajuste de 6.1%, que consideramos uma provocação. Foi rejeitada e está aprovada greve por tempo indeterminado em Curitiba e região a partir do dia 19. Temos informações ainda que assembleias no interior do estado já confirmaram a greve, que vai atingir o país inteiro”, afirmou Dias.

A exemplo das greves anteriores, a paralisação deverá fechar as agências, mas os caixas eletrônicos devem continuar operando. O presidente do sindicato ressaltou ainda as outras reivindicações da categoria, além do reajuste salarial. ” É fundamental a discussão das condições de saúde dos bancários, de segurança e de emprego. Somos ma das classes que mais adoece no trabalho. Cerca de 30% dos afastamentos da Previdência Social no país são de bancários em razão do assédio moral, doenças psíquicas porque a pessoa não suporta tamanha pressão. Além disso, todos os dias há ataques a bancos por gangues do maçarico que colocam em risco a segurança não só dos bancários mas da população”, completou.

No dia 18 de setembro irá acontecer uma nova assembleia, mas, segundo Dias, só para organizar o movimento. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), ainda não se manifestou sobre a decisão de greve da categoria.

Confira abaixo mais detalhes da minuta de reivindicações dos trabalhadores e da proposta patronal:

A proposta da Fenaban:

> Reajuste de 6,1% (reposição da inflação) sobre salários, pisos e todas as demais verbas salariais.

> PLR de 90% do salário, mais valor fixo de R$ 1.633,94, limitado a R$ 8.927,61. Parcela adicional de 2% do lucro líquido dividido linearmente entre todos os bancários, limitado a R$ 3.267,88.

> Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo médico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS.

> Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias de assédio moral encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa.

> Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos.

> Realização, em data a ser definida, de um Seminário sobre Tendências da Tecnologia no Cenário Bancário Mundial.

As reivindicações dos bancários:

> Reajuste salarial de 11,93% (5% de aumento real mais inflação).

> PLR de três salários mais R$ 5.553,15.

> Piso de R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese).

> Auxílios alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional).

> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários.

> Fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações (especialmente ao PL 4.330, que precariza as condições de trabalho), além da aprovação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas.

> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS)para todos os bancários.

> Auxílio-educação com pagamento para graduação e pós-graduação.

> Prevenção contra assaltos e sequestros, com o fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

> Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de negros e negras.