O auditor do Ministério da Saúde que investiga as mortes em uma UTI de Curitiba suspeita que a médica Virgínia Soares de Souza tenha agido com o conhecimento da direção do hospital. Segundo testemunhas, ela desligava os aparelhos de pacientes em estado grave. O auditor também afirmou que pode chegar a 300 o número de mortes.

Os auditores estão analisando centenas de prontuários de pacientes que morreram na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba entre 2006 e 2013. A médica Virgínia Soares de Souza, que comandava o setor, é acusada de sete homicídios. Outros sete funcionários também respondem ao processo.

Na semana passada, a polícia abriu um novo inquérito para investigar mais 20 mortes consideradas suspeitas. Só que o médico que coordena a auditoria, Mário Lobato da Costa, diz que já separou um total de 300 prontuários que considera suspeitos.

“O que era praticado era antecipação de óbito, um eufemismo para crime”, disse o auditor do Ministério da Saúde, ao Jornal Nacional, da Rede Globo.

Segundo o auditor, a médica Virgínia agia com o conhecimento da diretoria do hospital. Ele cita o trecho de uma gravação telefônica, feita com autorização da justiça, em que um diretor conversa com a médica, que foi acusada, por testemunhas, de desligar os aparelhos respiradores de pacientes.

“Ela disse, ‘estou desligando a neném, e não estou conseguindo porque a família não concordou’. E ela é textual. Ela disse que iria desligar e a família não queria.

”Neste domingo, o Fantástico mostrou o prontuário de um dos pacientes que morreram na UTI: Ivo Sptizner. Ele passou a receber o limite mínimo de oxigênio. Depois, foi aplicado um medicamento que faz os músculos pararem. O auditor diz que essa combinação matou vários pacientes.

“Todos eles, o mesmo modus operandi, têm a mesma relação entre a droga e o óbito, o horário bate.”O auditor revelou que foi pressionado a não ampliar as investigações: “Existe uma pressão velada porque isso, de uma forma ou de outra, atinge todas as UTIs, não só de Curitiba. Todo mundo vai ter que dar uma resposta sobre o que está acontecendo dentro das UTIs.

“Mas ele preferiu não dizer quem fez essas pressões. “Não posso te dizer de onde partem. É um lugar bem insuspeito, mas houve a tentativa”, afirmou.Nesta segunda, o Ministério Público entrou com um novo pedido de prisão de Virgínia Soares de Souza, que teve a prisão preventiva revogada na última quarta-feira.

Segundo os promotores, em liberdade, a médica poderia exercer pressão sobre as testemunhas. Os promotores também informaram que vão investigar o possível envolvimento da diretoria do Hospital Evangélico de Curitiba.

Os integrantes da diretoria do Hospital Evangélico de Curitiba foram substituídos na semana passada. Nem os ex-diretores, nem os atuais quiseram se pronunciar.

O advogado de Virgínia Soares de Souza afirma que não há provas contra a médica, e que ela permanece em casa, sem oferecer qualquer risco para a investigação.

PAra assistir à reportagem que foi ao ar no Jornal Nacional desta segunda-feira (25), clique aqui