Da Redação

Foto: SMCS

Um dia após o anuncio de reajuste de 8,72% na tarifa técnica do transporte coletivo, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) divulgou nota nesta quarta-feira (5) informando que o valor de R$ 3,98 é insuficiente para cobrir os custos do sistema. Mesmo com o reajuste no valor da tarifa paga pelo usuário para R$ 4,25, até o momento as empresas recebiam R$ 3,66 para os custos. As empresas defendem que o valor adequado para custear o sistema seria de R$ 4,75.

A tarifa técnica é o valor que a Urbanização de Curitiba (Urbs) repassa para as empresas. O valor é definido através de uma planilha formada a partir dos custos do transporte coletivo. O reajuste na tarifa técnica foi publicado no Diário Oficial de Curitiba nesta terça-feira (4).

De acordo com o Setransp, o valor de R$ 4,75 não significaria valor repassado ao usuário. “O Setransp apoia a criação de novas receitas para custear o serviço, como a municipalização da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a chamada Cide Municipal”, dizem as empresas.

Confira a nota completa abaixo:

Sobre a tarifa técnica de R$ 3,9848, o esclarece:

1. O valor é insuficiente para cobrir, na sua totalidade, o custo de operação do serviço.

2. Estudos detalhados feitos pela área técnica do Setransp apontam que o valor da tarifa técnica, de acordo com o Anexo III do Edital de Licitação, deveria ser de R$ 4,7512.

– Esse valor contempla o reajuste de todos os itens que fazem parte da planilha de custo, entre eles a renovação de frota, e está baseado em uma projeção de 15,4 milhões de passageiros pagantes por mês, em média, de março de 2017 a fevereiro de 2018, conforme cálculos de professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a pedido das empresas. A Urbs estima esse número em 16,1 milhões.

– Apenas vale lembrar que no período tarifário anterior, de março de 2016 a fevereiro de 2017, a média mensal de passageiros calculada pelos professores foi de 16,3 milhões, bem próxima à realidade (16,5 milhões) e bem distante da projeção da Urbs (17,6 milhões).

3. A tarifa técnica em R$ 4,7512 de maneira nenhuma significa valor de tarifa para o usuário. O Setransp apoia a criação de novas receitas para custear o serviço, como a municipalização da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a chamada Cide Municipal.

– Pela proposta da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), a Cide Municipal sobre os combustíveis subsidiaria parte do custo das tarifas de transporte coletivo – em outras palavras, a ideia é que o transporte individual financie o transporte coletivo. Segundo dados da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), um acréscimo de R$ 0,10 no preço do combustível reduziria cerca de R$ 0,30 no valor da tarifa.

4. A Urbanização de Curitiba (Urbs) vai descontar, mensalmente, o valor relativo à implantação de banheiros químicos. Esse valor foi inserido arbitrariamente na tarifa técnica pela gestão anterior. O Setransp já havia solicitado a retirada desse item da planilha de custo e a devolução dos valores repassados, pois entende que alterações no mobiliário urbano são de responsabilidade do poder público.

5. Seguem as conversas com o poder público para buscar melhorias para o transporte coletivo.