Redação

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Protesto reuniu cerca de 300 taxistas neste domingo no centro de Curitiba – Foto: Antonio Nascimento/Banda B

Após o protesto que reuniu cerca de 300 taxistas neste domingo em razão do assassinato de um dos colegas de profissão, Wuiliam Felipe Cardoso, 23 anos, durante um assalto, a Urbs, responsável pelo gerenciamento do serviço de táxi em Curitiba, disse, em nota, que, apesar de a segurança pública ser um dever constitucional do governo do Estado, tem diálogo frequente com os taxistas sobre a necessidade de reforço na segurança e já trabalha com a possibilidade de implantar o rastreamento da frota de táxi na cidade.

Durante o protesto, os taxistas reclamaram da falta de segurança para a categoria e alegaram que só pagam para trabalhar de acordo com as exigências da Urbs, e não recebem nada em contrapartida. “Estamos revoltados com a falta de segurança, a falta de respeito, porque a gente não tem nada de bom em contrapartida, só pagamos, pagamos, somos fiscalizados e não temos nada, nem policiamento, nem nada”, desabafou o taxista Dicson Brian. Para ele, o órgãos públicos estão com métodos engessados. “Precisamos de alternativas porque essas que existem não estão funcionando”, afirmou.

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Wuiliam tinha 23 anos e era taxista há pouco tempo

Outro colega de profissão disse que há registros de assaltos todos os dias. “Pelo menos um carro nosso é assaltado todos os dias. A Urbs tem que montar um rastreamento, ou ter botão do pânico para que seja acionado”, disse um dos manifestantes durante o protesto.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (19), a Urbs citou que um projeto de lei, do vereador Tiago Gevert, apresentado em 2013, pedia a obrigatoriedade de equipamentos de videomonitoramento nos táxis. Após audiência pública com a categoria, o vereador acabou retirando o projeto de pauta a pedido dos taxistas, que alegavam aumento de custos, informou a Urbs.

Mas, segundo a autarquia municipal, há hoje um outro projeto que prevê o rastreamento da frota em Curitiba. “Atualmente a Urbs discute um projeto de uma empresa privada de rastreamento da frota de táxi. Ele pode ser implantado em forma de projeto piloto para que seja feita análise de custos e viabilidade. Mas para isso, a Urbs ainda estuda formas de financiamento”, informou a Urbs. “Hoje as centrais de táxi possuem sistema de botão de pânico e também indica códigos de conduta em caso de assaltos, inclusive para chamar atenção das forças policiais no momento do assalto.”, completou a nota.

Não houve até o momento nenhuma manifestação da Secretaria de Segurança Pública do Paraná sobre o protesto dos taxistas. A polícia investiga o assassinato de Wuiliam, mas ainda não apresentou nenhum avanço sobre os autores do crime.

Protesto e morte

Ontem, cerca de 300 taxistas se reuniram na Praça Eufrásio Correia, no Centro de Curitiba, para protestar contra a falta de segurança. Na madrugada de domingo (18), um jovem taxista foi morto com diversos golpes de faca durante um assalto no bairro Sítio Cercado. Ele já tinha sido vítima de outro roubo na noite de sexta-feira (16). Colegas de profissão alegam que, por dia, há pelo menos um registro de assalto à mão armada. Esses dados não foram confirmados pela Polícia Militar (PM).

Crime

Wuiliam Felipe Cardoso, 23 anos, foi morto na rua Professor Brasil Pinheiro Machado. Segundo testemunhas, uma dupla chegou caminhando até o ponto de táxi da rua Izaac Ferreira da Cruz, próximo a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), e pediu uma corrida. O primeiro taxista teria recusado, por atender apenas corridas vindas da Central. Cardoso aceitou levar os dois rapazes. Após horas sem retorno, taxistas tentaram contato com o jovem, em vão.

O corpo do taxista estava entre os bancos e havia muito sangue pelos bancos e nas portas. As costas estavam bastante feridas e o pescoço com um corte profundo. O rádio estava entre as pernas do taxista, o que pode indicar que ele tenha tentado pedir socorro.