Redação com Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (24), um reajuste médio de 35,05% na tarifa média cobrada pela Copel. O valor é superior ao que teria sido solicitado pela empresa, de 32,4%. Porém, pelo Facebook, o governador Beto Richa (PSDB) informou que foi “surpreendido” com a decisão da Aneel e que irá solicitar a suspensão da aplicação. “Fui surpreendido com a decisão do governo federal de aumentar a luz em 35,05%. Vamos pedir à Aneel a suspensão da aplicação para buscar uma solução junto com a Copel”, anunciou.

A decisão da Aneel foi tomada em reunião pública da diretoria da Aneel. Para os consumidores residenciais (Classe B1), o reajuste será de 33,5%. Segundo informação do site da Agência, os novos valores serão aplicados a partir de hoje para 4,2 milhões de unidades consumidoras localizadas em 393 municípios do Paraná.

A Aneel informa ainda que a principal causa do reajuste foi o aumento dos custos que a distribuidora teve com compra de energia, em função do término do período de suprimento de alguns CCEARs* de energia existente (mais barata); da energia contratada nos leilões para suplementação, por meio de contratos de energia por disponibilidade e por quantidade (energia mais cara); e da variação da tarifa de Itaipu.

Em maio…

No dia 22 de maio, para rebater a entrevista da senadora Gleisi Hoffmann (PT) na Banda B com críticas sobre a possibilidade da Copel reajustar em 30% a tarifa de energia no Paraná, o presidente do setor de distribuição da Companhia, Vlademir Dalefe, garantiu que a empresa não havia feito nenhum pedido de reajuste à Aneel. Porém, oito dias depois, o pedido de 32,45% acabou sendo feito.

Na entrevista, na época, Dalefe disse que, se o aumento viesse, a responsabilidade não seria da Copel. “A Copel informa os custos dos contratos de compra de energia à Agência. Em abril, por exemplo, para atender as necessidades do estado a Copel teve que pagar o dobro do preço no leilão gerido pelo governo federal; ou seja, não foi pedido nenhum aumento mas, se ele vier será decorrente dos contratos de compra de energia”, explicou o presidente na entrevista do dia 22 de maio.

Protesto

Desde cedo hoje, o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) realiza mobilização contra aumento de 32,45% na conta de luz das famílias paranaenses. Movimentos sociais e sindicais e cooperativas também se manifestam em favor da adoção de medidas pela COPEL para reparar os danos de quem perdeu tudo com a abertura das comportas da Usina Salto Caxias durante a enchente da semana passada.

Na manhã desta terça-feira, o ato acontece em frente ao prédio da Copel, na rua Rua Coronel Dulcídio, 800 – Batel. À Tarde, os manifestantes se reúnem em frente ao Palácio Iguaçu.

No ano passado a ANEEL havia autorizado aplicar um aumento de 14,42%, no entanto, em função das grandes manifestações de rua, o aumento foi aplicado parcialmente. Já para este ano a tendência é aplicar 100% do aumento que será autorizado.

A Copel registrou lucro líquido de R$1,072 bilhão em 2013, um valor 53% maior que os R$ 700,68 milhões em 2012. Neste ano a Copel já registrou um lucro líquido de 583 milhões de reais no primeiro trimestre, alta de 46,2% em comparação com o mesmo período de 2013, segundo a própria companhia. Mesmo diante de tanto lucro pede 32% de aumento nas contas de luz.