Da Redação

Tânia Márcia e Conceição de Abreu são as principais suspeitas de comandar esquema de desvio de bolsas. (Foto: Reprodução/Facebook)

Amigos e familiares das duas servidoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) presas nesta quarta-feira (15) eram beneficiados pelas bolsas desviadas de pesquisadores da instituição, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Conceição Abadia de Abreu Mendonça, chefe de Orçamento e Finanças da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós Graduação, e Tânia Márcia Catapan, secretária executiva do mesmo setor, são as principais suspeitas de comandar o esquema, que causou um prejuízo de pelo menos R$ 7,5 milhões.

De acordo com a Justiça do Paraná, análises no Facebook mostraram uma ligação de amizade ou parentesco entre parte das pessoas que recebiam os pagamentos irregulares e as funcionárias da universidade. As investigações apontam ainda que Conceição era “mentora” do esquema, enquanto Tânia a auxiliava como secretária. Ao todo, foram expedidos 29 mandados de prisão temporária, e 28 pessoas chegaram a ser presas. As fraudes apuradas ocorreram entre 2013 e 2016.

Entre os beneficiários, segundo o apurado pela PF, estavam cabeleireiros a taxistas, e não tinham nenhum vínculo com a instituição. “Não são professores, não são alunos, não são servidores, não prestaram qualquer serviço com a universidade”, disse o delegado Felipe Eduardo Hideo Hayashi, responsável pelas investigações, em entrevista coletiva na manhã de hoje.

Segundo ele, o esquema das irregularidades iniciava por meio da chefia na seção de Orçamento e Controle da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. “Ela fazia processos simples e banais de pagamento e colhia assinaturas de pró-reitores, encaminhava a uma segunda instância, onde tinham novas assinaturas da Planejamento, Orçamento e Finanças, e depois eram enviadas à divisão de contabilidade e efetivados os pagamentos dos 27 beneficiários”, contou.

Sobre o caso, a UFPR informou que uma sindicância foi aberta assim que a direção tomou conhecimento das suspeitas de repasse irregular de recursos mediante pagamentos sistemáticos, fraudulentos e milionários de bolsas a inúmeras pessoas sem vínculos com a instituição.

Advogado

Para o jornal Gazeta do Povo, o advogado de dez suspeitos de receber a bolsa e também da servidora Tânia Márcia Catapan, Marlon Bizoni Furtado, disse que todos foram utilizados como “laranjas”. “Todas elas foram laranjas dessa situação. São pessoas humildes que receberam uma oportunidade para assinar procurações. Essas [procurações] efetivaram a abertura de algumas contas. Mas muitos deles nem sequer têm cartão da agência. Eles acabaram recebendo valores irrisórios para manter essa conta ativa, em alguns casos R$ 300”, disse Furtado para o jornal Gazeta do Povo.

Ainda, citada, Conceição Abadia de Abreu Mendonça, chefe da Unidade de Orçamento e Finanças da PRPPG, também pode ter sido usada no esquema, conforme disse o advogado.