A nova diretoria do Hospital Evangélico de Curitiba emitiu nesta sexta-feira (5) para as suas igrejas evangélicas instituidoras em relação às investigações das mortes na UTI. Segundo o advogado criminalista Elias Mattar Assad, que defende a médica Dra. Virginia Helena Soares de Souza, a justiça em breve chegará a conclusão de que não se pode punir alguém apenas por exercer sua profissão de médico. “Os adoradores da fogueira e os inconsequentes inquisidores contemporâneos , terão que pedir desculpas para a medicina pelo erro crasso que cometeram. O mundo está nos observando neste triste espetáculo deflagrado pela ignorância”, disse.

Virgínia é acusada pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) e pelo Ministério Público (MP-PR) de sete homicídios duplamente qualificados e formação de quadrilha entre janeiro de 2006 e fevereiro de 2013. De acordo com a denúncia do MP, Virgínia comandava um esquema no qual por uso de medicamentos conjugados antecipava a morte de pacientes na UTI. De acordo com o órgão, ela comandava o esquema definindo quais pacientes iam morrer para, como ela própria diz nas gravações, “desentulhar a UTI”. O motivo deste procedimento ser feito não foi relatado pelo MP. A denúncia tem como base dezenas de depoimentos, interceptações telefônicas e prontuários médicos.

Segundo a nota do Evangélico, a diretoria “não pode se calar diante de injustiças” de forma alguma, principalmente quando o inocente está sendo considerado culpado. “Assim se sente a Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba, pois é necessário a auto defesa, como é necessário também que outros mais entrem em defesa desta instituição que mantém o Hospital Evangélico, para que não continue sofrendo consequências que a mesma não merece”, diz a nota.

“Bomba”

Na última segunda-feira (1), Assad prometeu divulgar uma “bomba” que pode mudar os rumos da investigação. Segundo ele, nos dias que antecederam a páscoa a sua equipe recebeu uma ligação de São Paulo com detalhes da operação que desencadeou o caso. “Se a Polícia Civil e o Ministério Público trabalham com denúncias anônimas, a defesa também pode preservar a identidade do seu denunciante, mas eu garanto que as autoridades do estado foram muito bem manipuladas”, afirmou.