Por Sérgio Brandão*

Esporte de alto rendimento é uma coisa, praticar esporte é outra, e ter uma atividade física é outra ainda mais diferente.

Jogador de futebol ganha salários astronômicos, coisa muito acima da média nacional, justamente para poder cuidar da vida porque a aposentadoria é precoce. Com pouco mais de 30 anos, muitos se aposentam. Geralmente os que não se cuidam. São os que não conseguem entender que noitadas, baladas e álcool não combinam com o ritmo do futebol moderno.

00428-gpi-w600zc1q90Outros sabem como lidar com o dinheiro e alguns conseguem sossego até o fim da vida. Deste grupo, poucos nasceram para o mundo da bola, outros são menos talentosos e apenas quebram o galho, mas também servem.

Embora as regras sejam as mesmas em todo o mundo, o futebol é muito diferente nos vários continentes onde é jogado. O modelo é o europeu, considerado o maior, melhor e mais organizado que todos os outros.

Qualquer jogador que tenha passado pela Europa, dificilmente se acostuma no retorno ao futebol brasileiro. A principal dificuldade está no calendário que peca pelo excesso de jogos. Aqui, sempre foi assim e será por muito tempo. A CBF até já tentou, mas desistiu de tentar organizar a bagunça. Isso tem trazido consequências aos jogadores e aos clubes. Contusões, stress e fadiga andam tirando o sono de muitos treinadores, transformando os departamentos médicos em enfermarias, caso do Coritiba para pegar um exemplo regional. O Coxa chegou a ter oito desfalques em uma só partida e há muitas rodadas não repete o mesmo time.

Mas parece que até aí não há novidade. É apenas mais um fato entre tantos que surgem durante um desgastante campeonato brasileiro e que precisa ser dimensionado antes do início da temporada, coisa que poucos clubes fazem.

As seguidas péssimas apresentações do Coritiba, já não podem mais ser creditadas ao calendário. Ninguém joga assim tão mal seguidas vezes. Em mais de 100 anos de história, o Coxa, já deveria ter aprendido esta lição primária de organização de pré-temporada.

A birra do presidente em não ouvir a torcida, o departamento de futebol que parece esconder algo, as conversas de Ximenes e Marquinhos que as vezes subestimam a inteligência da torcida e, os sucessivos erros nas últimas contratações, são motivos de sobra que irritam qualquer um. Seja torcida ou imprensa.

A incoerência é tanta que até as primeiras rodadas, o discurso da diretoria era de quem estava brigando pelo bicampeonato brasileiro. A vaca começou a ir para o brejo e até quando conseguiu se segurar na quarta posição, o discurso mudou tentando acomodar as coisas com a classificação no G4. Com o projeto do bicampeonato brasileiro naufragando e com o G4 cada vez mais distante, parece que a história será a mesma de anos anteriores: o Coxa luta pra não cair!

Não é a torcida que paga sua mensalidade para assistir o time? Não é do sócio que o Coritiba consegue a sua maior receita? Não foi da torcida que o presidente, Alex e Deivid cobraram mais assiduidade nos jogos do Couto? Com um time assim, não tem torcedor que aguente, presidente. Além do direito de cobrar, a torcida precisa de respostas mais convincentes.

Os resultados das primeiras 11 rodadas podem ser creditados a um ingrediente muito conhecido no futebol, a sorte. Na verdade o Coxa jogou e convenceu em apenas duas partidas. Contra o Grêmio e o Cruzeiro, mesmo tendo voltado com uma derrota de Minas. Contra o Grêmio, no Olímpico, chegou a merecer um placar até maior na vitória de um a zero.

De resto, teve sorte. A sorte que o abandonou a partir da derrota para o Vasco, no Couto. Mais precisamente, a luz amarela ascendeu na Copa do Brasil, na inexplicável goleada que tomou do Nacional de Manaus. Mas naquela famigerada noite, todos apenas disseram que tinha sido uma noite infeliz.

Como avestruz, enfiaram a cabeça no buraco e assim continuam fazendo.

 * Sergio Brandão jornalista há 30 anos, trabalhou em várias áreas da profissão, tendo se especializado em comunicação para televisão desde 1983. Hoje é jornalista frela.  Trocou a vida sedentária e seus quase 90 quilos em 2000, pelo esporte. Quase 13 anos depois, acumula em seu currículo dezenas provas de triathon, duathlon, 12 maratonas e inúmeras corridas de rua