Por Felipe Ribeiro

Foto: Reprodução

Uma abordagem da Fundação de Ação Social (FAS) revoltou internautas, na manhã desta terça-feira (1), após o barraco de uma haitiana ser completamente destruído na Cidade Industrial de Curitiba. De acordo com relato enviado à Banda B, Milande Charles, de 29 anos, morava na região do Parque Diadema há pouco mais de um ano e nunca incomodou os moradores, o que causou a estranheza de vizinhos quando as chamas tomaram conta dos pequenos cômodos.

Milande chegou a ser tema de uma matéria da Gazeta do Povo em novembro do ano passado. Na ocasião, ela relatou que chegou à área no fim de 2014, com um colchão e uma mala pequena. No período, chegou a dormir sob uma árvore, mas levantou sozinha a cabana para ter um abrigo.

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Segundo a internauta Priscila Zafra, o que aconteceu foi uma atitude que mostra o quanto o ser humano pode ser ‘desumano’. “Que fique bem claro que não estou defendendo ninguém, mas creio que expressar minha opinião é válido. A haitiana que morava ali nunca incomodou ninguém, não fazia ‘farras’ e não se encheu de filhos como muitos falavam que ela ia fazer. Em 20 minutos teve o pouco que conseguiu destruído por mais de 10 pessoas da Prefeitura. Agora acabei de vê-la revirando as cinzas no relento enquanto essas pessoas devem estar em suas casas quentes e alimentadas como se nada tivesse acontecido”, lamentou.

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba, que informou que o primeiro registro de atendimento de Milande é de dezembro de 2014 e que agora ela concordou com o acolhimento. “Ela teve vários atendimentos, resultado da atuação da equipe de assistência social da Regional CIC, principalmente após solicitações que chegaram à Prefeitura pelo 156. Milande morava em condição precária, na região do Contorno Sul. Há vários dias, a equipe de abordagem social da FAS vem fazendo contato com Milande para tentar convencê-la a receber acolhimento. Na manhã desta segunda-feira (30), a equipe da FAS e integrantes da Pastoral do Migrante estiveram na casa de Milande, que concordou com o acolhimento”, explicou a administração municipal

Confira a nota na íntegra:

– O primeiro registro de atendimento da FAS a Milande Charles, 29 anos, é de dezembro de 2014.

– Desde então ela teve vários atendimentos, resultado da atuação da equipe de assistência social da Regional CIC, principalmente após solicitações que chegaram à Prefeitura pelo 156. Milande morava em condição precária, na região do Contorno Sul, na Cidade Industrial.

– Há vários dias, a equipe de abordagem social da FAS da Regional da CIC vem fazendo contato com Milande para tentar convencê-la a receber acolhimento.

– Na manhã desta segunda-feira (30), a equipe da FAS e integrantes da Pastoral do Migrante estiveram na casa de Milande, que concordou com o acolhimento.

– Ela foi levada para a Casa de Passagem para Mulher LBT, mas ao chegar ao local, se negou a sair da Kombi da FAS.   Na Casa de Passagem, as usuárias podem fazer a higiene pessoal, têm alimentação e ainda contam com o serviço de acolhimento noturno. Simultaneamente as equipes buscam a recuperação dos vínculos familiares e o encaminhamento para outros serviços.

– Com a negativa, Milande foi levada para a sede da Pastoral do Migrante, em Santa Felicidade. Enquanto isso, a equipe de limpeza pública da Regional CIC removeu a casa onde morava para evitar que outras pessoas se instalassem no local, que se encontrava em situação precária.

– Na tarde desta segunda-feira, Milande disse que gostaria de retornar para o Haiti ou ir morar na República Dominicana, onde teria conhecidos. A FAS está fazendo contatos para localizar parentes.

– Ainda na segunda-feira, Milande foi encaminhada para um Centro de Atenção Psicosocial (Caps), já que possui transtorno mental e estava agitada. Depois disso, ela foi levada novamente para a Casa de Passagem para Mulher LBT, onde novamente se negou a entrar.

– Nesta terça-feira (31), Milande retornou à área onde morava e a equipe de assistência social da FAS da Regional CIC se deslocou para o local para fazer a abordagem social. A haitiana aceitou novamente o acolhimento ofertado e está sendo encaminhada para a Casa de Passagem para Mulher LBT.

– Os pertences de Milande foram armazenados pela FAS, como mobília e madeira usada para a construção da casa.