Cúpula do Paraná participou de entrevista. (Felipe Dalke/Banda B)

A Justiça do Trabalho determinou que o presidente do Paraná, Leonardo Oliveira, seja o administrador do processo de dívidas do clube que penhorou 20% das receitas do clube. Para isso, o atual mandatário recebe um salário de R$ 25 mil por mês, pagos pelo próprio Tricolor, para exercer a função. Esse é o primeiro valor que ele recebe vindo do Tricolor desde que assumiu o cargo de presidente já que o próprio estatuto paranista estabelece que a função não é remunerada.

“A própria legislação determina que o administrador promova o que ele entende como cabível como remuneração e é obrigatório por lei. O administrador tem que ter período integral do trabalho para a justiça. Ele não pode ter outro trabalho concomitante no período em que é administrador. Ele não tem apenas o bônus, mas também o ônus. A própria decisão judicial já afirma que se o administrador não comprove os gastos ou não seja aprovada, ele responderá criminalmente e pagará multa de 10% da previsão de faturamento do orçamento. O valor é pesado e a responsabilidade é muito grande”, declarou o vice-jurídico do Paraná, Luiz Berleze.

De acordo com o vice-jurídico, o salário de R$ 25 mil é determinado pelo próprio Leonardo Oliveira. Ele se baseia no valor total da dívida do clube, que gira em torno de R$ 19 milhões. “O plano de administração é apresentado pelo administrador, não pelo clube. Com base nisso, a sugestão pela remuneração foi tomada por base com alguns exemplos. Dentro do judiciário, o patamar que se fixa é de 5% do valor da dívida dividido ao longo que o administrador estiver a frente. Tomando por base que a dívida do Paraná apresentada para a Justiça do Trabalho está na casa dos R$ 19 milhões, o Leonardo levou em conta e está até abaixo dos 5%”, comentou.

“Levando em consideração esse parâmetro que é praticado por esse tipo de trabalho, o clube não teria condição de pagar 5% do valor da dívida. A previsão do pagamento desses R$ 19 milhões é apenas para esse ano. Ficaria completamente fora da realidade pagar o salário de 5%. Por isso, foi utilizado um parâmetro muito menor, principalmente na sequência desse programa porque não vai durar apenas um ano. Partindo desse princípio, esse parâmetro ficaria completamente inviável para sobreviver e manter a operação que achamos importante que o clube mantenha”, afirmou o mandatário.

Em outros casos, o judiciário não costuma colocar o presidente como o administrador. Berleze explicou que Oliveira foi escolhido pelo conhecimento para gerir um clube de futebol. “Em razão de ser um clube de futebol que demanda conhecimento não só da parte de gestão administrativa, nós fomos até o judiciário pleitear que o próprio presidente ficasse como administrador, o que não é muito comum quando se trata de uma determinação pela justiça. Ela entendeu que era conveniente isso porque o futebol necessita conhecimento da parte operacional e técnica. O presidente foi indicado pela boa administração realizada e pelo conhecimento operacional do futebol profissional”, disse.

O Tricolor passará por processo eleitoral, em setembro, para definir o seu próximo presidente pelo próximo triênio (2019-2021). Mesmo que não permaneça no cargo, Oliveira pode continuar como administrador. A decisão será do juiz do trabalho. “O plano de administração é por um ano e quem assumir o cargo de presidente terá que cumpri-lo até o final deste ano. O período em que vou ficar como administrador é exclusiva do juiz do trabalho. Ele pode definir que a partir de amanhã não sou mais, ou fico até o final. O clube vai ficar em administração judicial até que todos os seus débitos sejam quitados. Não existe um prazo pré-definido”, afirmou o atual mandatário.

Assista a entrevista com o presidente do Paraná e o departamento jurídico do clube:

Coletiva do presidente Leonardo Oliveira, dos conselhos e do departamento jurídico do Paraná, na sala de imprensa Caio Júnior

Posted by Esporte Banda B on Wednesday, March 28, 2018