Por Guilherme Coimbra e Pedro Melo

Vila Capanema completa 70 anos nesta segunda-feira (Banda B)

Palco de Copa do Mundo e um dos mais tradicionais templos do futebol paranaense, a Vila Capanema completa 70 anos, nesta segunda-feira (23), de existência e tradição. Casa do Ferroviário e do Colorado, o estádio foi reformulado em 2006 para voltar a ser a casa do Paraná Clube. De lá para cá, o Tricolor tem mandado seus jogos exclusivamente no local, reformado com a ajuda da sua torcida

Há sete décadas o Clube Atlético Ferroviário atingia o ápice da sua história ao construir o estádio mais moderno do Paraná na época. Assim tomava forma o Estádio Durival Britto e Silva, em homenagem ao então superintendente da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina. Popularizado como Vila Capanema, o local foi inaugurado no dia 23 de janeiro de 1947, na goleada do Fluminense sobre o Ferroviário, por 5 a 1.

Três anos depois da inauguração, a Vila recebeu a Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. No mundial, o estádio foi palco da vitória da Espanha por 3 a 1 sobre os Estados Unidos e do empate em 2 a 2 entre Suécia e Paraguai. Assim o Estádio Durival de Britto e Silva entrava para a história das praças esportivas do Brasil e do mundo.

A reforma 

Sem utilização de 2003 a 2005 por não contar com a capacidade mínima de 15 mil torcedores exigida pelo Estatuto do Torcedor, a Vila Capanema foi reformada em 2006, com um projeto chamado “Vila tá na hora”, organizado pelo departamento de marketing do Paraná Clube.

Diretor do clube na época, Neto Gayer, um dos idealizadores do projeto, lembra como foi o retorno ao estádio. “Nós jogávamos no Pinheirão na época, com má acomodação e aquele anseio de voltar para a Vila. Tivemos a ideia através de um fornecedor de pré-moldados, eu fiz um levantamento para ver a questão de preço e achamos que com o apoio da torcida e a boa fase do time, poderíamos fazer uma reforma e voltar para a Vila Capanema. E foi assim que aconteceu”, disse.

Tinha gente que era contrária na época, pois achavam que era um sonho impossível. Mas, quando lançamos a ideia, a receptividade da torcida foi muito grande. Tanto que 90% da obra foi feita com arrecadação dos torcedores, na venda de camarotes e objetos. O que ajudou também foi o time, que estava bem”, afirmou. “Foi importante para o clube a ida para a Vila. Temos também que deixar claro que o clube praticamente não teve gastos. A verba foi arrecadada e felizmente deu tudo certo”, afirmou.

Já o presidente do Tricolor na época, José Carlos Miranda, ressalta que a volta para a Vila Capanema era um desejo de todos paranistas. “Era um anseio de todos os paranistas principalmente aqueles que são torcedores do Ferroviário. Estávamos muito bem no Pinheirão, mas sempre quisemos voltar para a nossa sede. Com colaboração de toda a torcida paranista e a diretoria da época, tivemos essa grande vitória de trazermos o Paraná de volta para sua casa. Foi uma das maiores realizações de sua diretoria”, declarou.

A estreia da nova Vila Capanema aconteceu no dia 20 de setembro de 2006, quando o Paraná por 2 a 0 contra o Fortaleza. “Foi um dia muito especial, abrimos com um evento e o torcedor teve uma participação muito ativa. Foi um momento mito especial do time, a energia estava muito boa e é um dia que está na memória de todos os paranistas”, relembrou o vice-presidente de planejamento e presidente do “Vila tá na hora”, Márcio Vilela.