Por Pedro Melo, Caio Júnior, Felipe Dalke e Leandro Requena

Marcos está muito próximo de acertar a renovação de contrato por mais um ano. (Monique Vilela/Banda B)

O goleiro Marcos está muito próximo de encerrar a carreira, mas antes tem o sonho de colocar o Paraná novamente na Série A do Campeonato Brasileiro. Para isso, o jogador, que mais vestiu a camisa paranista, está muito próximo de assinar a renovação de contrato por mais uma temporada.

Em entrevista à Banda B, Marcos afirmou que recebeu a garantia do empresário Carlos Warner sobre a continuação do contrato, porém, com um salário menor em relação ao desta temporada. Além disso, o goleiro garantiu que pretende seguir trabalhando no futebol após o fim da carreira.

Confira a entrevista completa:

Aos 40 anos, você decidiu seguir jogando por mais um ano. Já existe a assinatura de renovação de contrato com o Paraná?

Ainda falta assinar. Ficamos acordados para renovar o contrato, não foi possível assinar antes de entrar de férias, mas perguntei para o Carlos Werner se poderia matricular meus filhos na escola e ele disse que sim.

Já baixei o salário mais uma vez para o torcedor entender que estou aqui para realizar um sonho que do torcedor também [de retornar para a Série A]. Eu sou o primeiro a chegar no treino, o pessoal sempre briga comigo porque quero treinar mais e sei que preciso me dedicar. Toda vez que coloco a camisa do Paraná como se fosse o último jogo e saio muito triste quando o time não vence.

Você saiu do Paraná e o clube estava no auge e em seu retorno, estava vivendo um momento complicado. Como foi esse baque de voltar do futebol europeu para o brasileiro e em uma situação completamente diferente do Paraná?

Eu fui embora após o Brasileirão de 2002, no último ano dos pontos corridos. Naquele tempo, o Paraná já passava por uma dificuldade muito grande e a gente só se livrou do rebaixamento no último jogo contra o Figueirense. Depois que eu sai, o Paraná cresceu em termos de futebol, mas não em estrutura. O clube então passava por algumas dificuldades, mas não tanta quanto hoje. O fato de eu voltar para o clube foi justamente por amar o clube e ter carinho pelo torcedor. Por mais que soubesse da realidade do clube, somente estando dentro para saber. A dificuldade foi grande, mas eu tomei essa decisão de retornar. É uma questão de amor para poder aguentar todas as situações. Claro que esse ano as coisas melhoraram, o pagamento foi em dia até os últimos meses, mas não foi por causa do atraso que não tivemos êxito na Série B.

Na última gestão, os jogadores sofreram muito com salários atrasados e você segurou bastante a bronca dos companheiros.

Sem dinheiro é difícil contratar e manter o elenco forte e unido. Em muitas situações tivemos que intervir até financeiramente, conversando com os atletas e foram alguns momentos complicados. Nosso torcedor está carente e eu entendo isso. Sei o que o torcedor está passando. Poderia até ter acontecido coisas piores nos últimos anos por conta da situação financeira e muitas vezes não aconteceu pelo fato da gente estar lá. Não foi fácil aguentar tudo.

Você acredita que o Paraná tem condições de fazer uma reestruturação e voltar a conquistar bons resultados em um curto período?

O Paraná vem tentando isso e diminuiu as dívidas. Dentro de campo, os resultados não vieram neste ano, mas internamente o clube está se reestruturando para que realmente o mais breve possível saia desse resultado. A gente não pode falar pela emoção e precisa ser pela razão. O torcedor do Paraná quer muito subir de divisão e se for ver as equipes que subiram no ano passado, já desceram nesse ano. Quando o Paraná subir, precisa estar estruturado para se manter na Série A.

Qual foi o momento que o goleiro Marcos virou também torcedor do Paraná?

Quando era pequeno, eu sempre torcia para quem campeão e não tinha vinculo com nenhum clube. A partir do momento que comecei a jogar tive esse vínculo com o Paraná. Estive no primeiro jogo do Paraná no Couto Pereira e cresci junto com o clube. Hoje é meu time de coração, da minha esposa, das minhas filhas e todos meus familiares.

Seu primeiro treinador na carreira foi o Vanderlei Luxemburgo. Existia uma cobrança grande mesmo você sendo jovem e estar ainda no começo da carreira?

Eu comecei a treinar com o clube profissional em 1995 na época do Luxemburgo. Até morria de medo dele porque ele cobrava muito, mas essa cobrança era justamente porque gostava de mim. Naquela altura o preparador de goleiros era o Almir Rodrigues e ele me falou que o Luxemburgo gosta de mim e até falou que iria conversar com os responsáveis pela seleção brasileira de base para me convocarem.

No começo da sua carreira, você estava no time profissional apenas treinando e também jogava partidas nas categorias de base. Como foi essa transição?

Em 1995, eu treinava no profissional durante a semana e no fim de semana descia para jogar o Campeonato Paranaense de base. Naquela época o reserva do Régis era o Neneca. Em 1997, eu assumi a reserva do Régis porque estourou a idade do júnior e passei a ser o segundo goleiro. O Régis nunca tinha se machucado, mas naquele ano, infelizmente, ele se machucou e tive oportunidades. Eu entrei e as coisas deram certo.

Entre 2003 e 2009, você teve a experiência de jogar no Marítimo, de Portugal. Como foi sua experiência no futebol internacional?

Minha adaptação foi muito rápida. A estreia foi contra o Porto, comandando por José Mourinho e tinha jogadores como Deco e Carlos Alberto. O Porto, na época, estava há 29 jogos sem perder e na minha zaga tinha o Pepe, hoje no Real Madrid. Naquele ocasião, a gente venceu por 2 a 1 e já criou uma identidade com os torcedores. Foram sete anos no Marítimo, sempre como titular e com respeito do torcedor.

Você já decidiu o que pretende fazer após encerrar sua carreira como jogador? Pretende continuar no futebol?

Não tenho dúvida que vou trabalhar dentro do futebol, mas ainda não decidi em qual função. Tem hora que me empolgo para uma coisa daí vejo que não é, porém, estou trabalhando para dar essa continuidade.