Por João Pedro Alves

Os quase 19 anos de carreira, coroados nesta quarta-feira (19) com a disputa do milésimo jogo, não passaram em branco por Alex. Dentro de campo, marcou o gol da vitória sobre o J.Malucelli. Fora das quatro linhas, o craque colocou a cabeça para funcionar e relembrou de toda sua trajetória como profissional, da estreia até a marca histórica, em uma carta à nação alviverde.

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Alex chegou ao histórico quarto dígito na camisa (Foto: Divulgação/Coritiba)

Hoje, Alex é reconhecido como um dos grandes meias do futebol brasileiro e não fez sucesso apenas por aqui. Na Turquia, por exemplo, é uma espécie de “semi-deus”. Mas não foi sempre assim. Nos tempos da transição da categoria de base para o profissional existia a expectativa e a incerteza se o sonho de virar alguém jogando bola iria vingar.

Vingou. Em passagens pelo Coritiba, Palmeiras, Flamengo, Parma, Cruzeiro e Fenerbahçe fez seu nome com gols, assistências e o estilo clássico de um clássico 10. Chegou também a vestir a sonhada camisa canarinho da Seleção Brasileira.

Essa história da vida real, do menino de Colombo ao ídolo de grandes massas, foi registrada por Alex na revista “Jogo no Couto” entregue aos torcedores que foram ao Alto da Glória assistir ao jogo mil. Mas pela importância da marca, também divulgada pelo clube.

Leia a carta de Alex sobre a carreira até o milésimo jogo:

“Primeiro de abril de 1995, saí do Atuba para minha primeira concentração como atleta profissional de futebol. Onde todos brincavam por ser o dia da mentira, para mim não podia existir algo mais real. Iria estrear na equipe principal, emoção inimaginável até aquele momento. Tinha 17 anos de idade e como qualquer jovem tinha muita coisa em minha cabeça.

Mas tinha uma situação que não saía de dentro de meus pensamentos: “Só sei jogar bola. Ou me dedico no limite nisso e cresço nessa profissão, ou não sei o que será do meu futuro”. Com esta ideia fixa, estreei em Irati no dia 02 de abril de 1995. Saí de um menino juvenil a titular do Coritiba. Aprendi e fui muito ajudado por todos que me circundavam naquele momento. Fiz 123 jogos com a camisa do meu clube e fui viver novas sensações… e que sensações!

Cheguei ao Palmeiras numa equipe sendo desmantelada e uma nova sendo construída. E nessa nova construída, dei minha parcela de contribuição em 241 jogos. Passei pelo Flamengo, um aprendizado incrível, mesmo que por um período curto e ruim. Trago os aprendizados até hoje. Ali na Gávea fiz somente 12 jogos.

Fui para Itália com o sonho de jogar num bom nível pelo Parma. Não aconteceu! Tive mais processos e discussões judiciais do que número de jogos. Ainda assim, com todas essas brigas fiz cinco partidas.

Fui feliz demais em Belo Horizonte. Joguei no Cruzeiro em uma equipe fantástica e me diverti demais ali em Minas Gerais, fazendo 121 partidas até partir para minha aventura turca.

Fui para o desconhecido e descobri que nem tudo que é desconhecido é perigoso. Foi diferente, foi difícil, foi um trabalho árduo dia após dia. Mas, mais do que tudo isso, foi mágico. Ali fiz 378 jogos e retornei para onde tudo começou. No meio de tudo isso, ainda tive a alegria de vestir a camisa da Seleção Brasileira por 49 vezes. Ser campeão com a Seleção é um alegria absurda. Voltei ao Alto da Glória e agora estou para completar 1000 jogos. Realmente, ainda não acredito.

De Foz do Iguaçu para cá me pego chorando com as lembranças, com os amigos que fiz, com as parceiras que tive, com as desavenças que tive, com os problemas que enfrentei, com as alegrias, as tristezas. Acredito que seja por minha carreira está findando, mas valeu a pena demais.

Nunca na minha vida imaginaria que sairia de Colombo numa manhã de primeiro de abril para estrear pelo meu time, era o início de uma carreira que completará 1000 jogos. É uma bela marca!

Agradeço demais aos meus pais, minha avó, Daiane, minha esposa, meus filhos, meus irmãos, meus familiares e amigos. Agradeço também ao treinadores e jogadores que sempre me ajudaram, principalmente ao Carpegiani por ter dado uma oportunidade a um menino de 17 anos. Agradeço sempre à AABB, CORİTİBA, PALMEİRAS, CRUZEİRO, FLAMENGO, PARMA, FENER E à SELEÇAO BRASİLEİRA. Muito obrigado a todos os torcedores que colaboraram para atingir essa marca de 1000 jogos”.

Alex