Mário Celso Petraglia defendeu a transmissão do Atlético. (Monique Vilela/Banda B)

O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Mário Celso Petraglia, explicou a decisão de transmitir a final do Campeonato Paranaense no canal oficial do clube no Youtube. A transmissão não foi autorizada pelo Coritiba e retirada do ar ainda aos 42 minutos do primeiro tempo após pedido da Rede Globo, dona dos direitos de transmissão do Coxa no estadual.

“Pode parecer oportunismo de minha parte pela vitória que tivemos. Há muitos anos não damos importância que algumas outras instituições dão [aos estaduais] porque o Atlético não trabalha apenas para si. Não podemos ser uma ilha e o nosso trabalho é uma quebra de paradigmas. O que eu quero trazer é a posição de protesto porque o Atlético Paranaense se viu obrigado, e nós não cedemos, a vender os nossos direitos por valores que não paga nem parte do que custa essa competição. Não sou contra o Campeonato Paranaense, mas o calendário e fórmula. Somos contra as cotas de pay-per-view, quando o Flamengo e Corinthians entra em campo fatura R$ 3 milhões por partida e o Atlético Paranaense apenas R$ 150 mil. Nossos co irmãos atravessam certas crises que não causa discutir, são problemas particulares e personalizadas deles”, comentou o dirigente.

O presidente do Conselho Deliberativo também foi questionado se o Atlético não feriu o artigo 42 da Lei Pelé, que determina o direito de arena para os dois clubes. “Acha justo o Atlético ser obrigado a vender os direitos por valores insignificantes e que não possa mostrar a imagem a ninguém? O futebol brasileiro precisa de sua carta de independência. Nós sentimos um prejuízo aos nossos patrocinadores. Resolvemos passar o nosso jogo, a mando nosso. Não vendemos nossos direitos e não vejo nenhum prejuízo a ninguém”, explicou.

Petraglia ainda aproveitou o momento de desabafo para atacar a Federação Paranaense de Futebol (FPF) e ressaltou que o Atlético terminou a competição com prejuízo. “Não inventamos nada, estávamos juntos Atlético, Coritiba e Paraná, quando entramos na Justiça para mostrar as irregularidades e desvio de valores. Infelizmente, a Justiça quer atrapalhar as questões privadas. Não sabemos se o futebol é público ou privado. O que a Federação nos ajuda? Tivemos quase R$ 1 milhão de prejuízo. Nós pagamos tudo e eles levam 5% da renda bruta”, disse.

“Nosso inconformismo com Federação, CBF e cartel de televisão que domina o futebol brasileiro há muitos anos. Tivemos algumas iniciativas, com a Primeira Liga, que destruíram e não foi em frente por questão de calendário e também pela Rede Globo”, acrescentou o atual mandatário do Conselho Deliberativo.

A partir de 2019, o Esporte Interativo também transmitirá o Campeonato Brasileiro na TV Fechada e o Atlético foi um dos clubes que assinou com a emissora de televisão. Petraglia não tem medo de ficar sozinho na briga contra a principal emissora de televisão do Brasil e afirmou que continua trabalhando no clube para mudar o futebol brasileiro.

“Já estamos sozinhos. Isso não nos enfraquece e não nos amedronta. Nossa continuidade aqui no Atlético se dá muito mais para tentar fazer as mudanças que o futebol brasileiro preciso do que pelo trabalho no Atlético. O clube já tem a melhor infraestrutura do Brasil, tem cultura e política de formação e é reconhecimento por inovação e tecnologia. Atlético é conhecido como um dos clubes de melhor patrimônio. A nossa única dívida que ainda estamos resolvendo é da reforma do estádio e não tivemos nenhuma empreiteira. É impossível ganhar torneios com essa estrutura do futebol brasileiro”, concluiu o presidente.

Assista à entrevista do presidente do Conselho Deliberativo do Atlético:

Coletiva Tiago Nunes

Posted by Portal Banda B on Sunday, April 8, 2018