Por João Pedro Alves

Não foi sem luta, sem nervosismo ou sem emoção… mas o Atlético conquistou a tão sonhada vaga na fase de grupos da Libertadores. Depois de ser derrotado pelo Sporting Cristal no Peru, o Furacão devolveu o 2 a 1 na noite desta quarta-feira (5) em um jogo tenso, com quatro expulsões, e com direito a um gol já aos 52 minutos do segundo tempo na Vila Capanema.

O gol de Ederson no “apagar das luzes” levou a decisão para os pênaltis. E quem pensou que seria fácil, se enganou. A classificação rubro-negra veio apenas após uma virada nas cobranças da marca da cal, com um 5 a 4 dramático que terminou com uma bola no travessão dos adversários.

Agora, o Atlético desbravará a América pelo Grupo 1 da Copa Libertadores, em que terá pela frente o Vélez Sarsfield (Argentina), o Universitario (Peru) e o The Strongest (Bolívia). A primeira partida já é na próxima quinta-feira (13), quando recebe o time boliviano na Vila Capanema.

Confira os gols e a disputa de pênaltis narrados por Paulo Sérgio Debski na Banda B:

Gol Manoel
Gol Avila
Gol Ederson
Pênaltis

Nervoso e sem criação, Atlético tem dificuldades em levar perigo

A Arena ainda não está pronta, mas a torcida rubro-negra fez da Vila um verdadeiro caldeirão para empurrar o Atlético rumo à fase de grupos. Miguel Portugal tentou ajudar na festa  e mandou o time a campo mais ofensivo que no Peru, em um 4-3-3. Mas o início não foi bom para os brasileiros em um jogo que estava tenso e pegado – e que o Sporting Cristal tinha o domínio da bola.

Em meio aos ânimos à flor da pele e vários cartões amarelos, Ederson criou a primeira chance ao receber um passe de Marcelo na cara do gol e bater para fora aos 14 minutos. A resposta peruana veio segundos depois, mas Yotún também errou o alvo de dentro da área. Foi então que Zezinho e Balbín roubaram as atenções por outro motivo: eles se desentenderam em uma disputa de bola e foram expulsos.

Os cartões vermelhos só mostraram o quão nervoso estava o jogo, principalmente para o Furacão. O fator emocional estava pesando sobre os jogadores atleticanos, o que ficou claro com a série de erros quando iam para o ataque tentar criar algum perigo. Por outro lado, os “Cerveceros” aproveitavam essa ansiedade para jogarem em venenosos contragolpes rápidos.

Para uma equipe que precisava do resultado, o Atlético apresentou pouca inspiração no primeiro tempo sentindo a falta de um meia criador – inexistente após a expulsão de Zezinho. A única chegada que ainda levantou a torcida nas arquibancadas foi em um cruzamento rasteiro de Marcelo que Ederson não chegou a tempo para completar para dentro.

Gols saem dos dois lados e Ederson garante pênaltis nos acréscimos

Com apenas 45 minutos para fazer pelo menos um gol e garantir a vaga, o Atlético voltou para o campo com Fran Mérida. Era o meia que faltava para o time se acertar. Já no primeiro lance, o espanhol fez boa jogada e cruzou, a bola ficou viva na pequena área mas não entrou. O que se viu logo depois disso foi uma pressão rubro-negra e o gol “ficou maduro”.

Isso durou até os 16 minutos, quando Manoel aproveitou a cobrança de uma falta na área e cabeceou antes da chegada do goleiro para balançar as redes. Poderia ser o gol da tranquilidade e da classificação, caso o Sporting não empatasse um minuto depois. Também em uma bola alçada, o artilheiro Ávila, em posição irregular, apareceu sozinho e desviou para dentro.

O gol peruano foi um golpe que o Atlético acusou, era algo nada bem vindo. Mas um alento logo apareceu com a expulsão de Cossio, que garantiu a superioridade numérica. A partir daí, o ataque virou a única preocupação, a retranca adversária dificultava, mas ainda assim Marcelo e Mérida levaram perigo em chutes de longe.

A cada minuto que o gol rubro-negro não saía, a dramaticidade do jogo dobrava de proporções – e triplicou com a lesão de Marcelo. O Furacão, no entanto, não desistiu. E foi recompensado: já aos 49 minutos, Penny defendeu dois chutes e quando Nathan iria marcar o zagueiro Ortiz colocou a mão na bola. O peruano foi expulso, o pênalti da salvação foi marcado. Ederson assumiu a responsabilidade, foi para a cobrança e marcou o gol que, aos 52 minutos, levou a decisão da vaga na fase de grupos para mais penalidades.

Nem sorte, nem loteria; pênalti é rubro-negro

Ninguém presente na Vila Capanema esperava um desfecho tão dramático. O jogo estava definido até o último lance, até o Atlético marcar o gol da vitória e levar a disputa para a marca da cal. Restou a alguns “sortudos” decidirem o futuro nas sempre emocionantes cobranças – e essas não fugiram à regra.

Nas primeiras cinco batidas regulamentares, o Furacão levou sustos ao ver Deivid e Nathan pararem na defesa do goleiro Penny na segunda e terceira batidas – Ederson, Mérida e Natanael converteram.

No entanto, após Lobatón, Cazulo e Advíncula colocarem o Sporting em vantagem no placar, com um 3 a 1, a reviravolta começou. Primeiro, Delgado teve o chute defendido por Weverton e depois Calcaterra isolou para deixar tudo igual e levar para as cobranças alternadas.

Na primeira rodada, Mosquito e Núñez mostraram pé calibrado, colocaram a bola na rede e deram sequência às penalidades. O atleticano seguinte foi Manoel, que cobrou com categoria, também marcou e jogou o peso para Aquino Sánchez. Peso que não foi bem administrado: o peruano chutou no travessão e deu a classificação para o Atlético.

FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO 2 X 1 SPORTING CRISTAL (5 x 4 nos pênaltis)

Local: Estádio Durival Britto e Silva, em Curitiba (PR).
Data: 5 de fevereiro de 2014, quarta-feira.
Horário: 22h.

Atlético: Weverton; Sueliton (Nathan), Manoel, Cleberson e Natanael; Deivid, Paulinho Dias (Mosquito) e Zezinho; Douglas Coutinho (Fran Mérida), Marcelo e Ederson.
Técnico: Miguel Ángel Portugal.

Sporting Cristal: Diego Penny; Balbín, Delgado e Ortiz; Calcaterra, Jorge Cazulo, Yotún (Núñez), Carlos Lobatón e Cossio; Leandro Leguizamón (Aquino Sánchez) e Irven Ávila (Luis Advíncula).
Técnico: Daniel Ahmed.

Público pagante: 9.156 pessoas.
Público total: 10.372 pessoas.
Renda: R$ 202.265,00.

Cartões amarelos: Cleberson, Manoel, Deivid (CAP). Cazulo, Penny, Cossio, Yotún, Aquino Sánchez (SPC).

Cartões vermelhos: Zezinho (CAP). Balbín, Cossio, Ortiz (SPC).

Gols: Manoel (CAP), aos 16 minutos; Irven Ávila (SPC), aos 17 minutos; e Ederson (CAP), aos 52 minutos do segundo tempo.