Maior artilheiro da história do Atlético com 157 gols e atualmente comentarista da Banda B, Sicupira foi o convidado da noite no “Círculo da História Atleticana”, evento criado por torcedores do Furacão e que tem o objetivo de resgatar a história do clube.Cada edição do Círculo conta com a participação de algum personagem importante na trajetória rubro-negra de 87 anos.

Na noite desta quinta-feira, na sala vip da Arena da Baixada, mais de 100 torcedores do Atlético participaram da maior edição do Círculo em número de participantes. Todos prontos paraouvirem histórias da carreira do maior ídolo do clube. E o bate-papo foi longo, quase três horas de curiosidades, risadas e revelações de bastidores. Sicupira não fugiu de nenhuma das perguntas dos torcedores (todos fizeram questão de elogiar e agradecer a presença do craque de 8) e contou histórias divertidíssimas sobre sua vida de jogador, mas principalmente sobre os oito anos no Furacão.

Sicupira relembrou o início de sua carreira, a passagem pelo Botafogo, o período em que jogou no Corinthians, gol importantes e decisivos que fez com a camisa rubro-negra, e é claro, Atletibas que ficaram na memória. “Eu posso dizer que fui um cara sortudo, porque fiz gol em todas as minhas estreias em todas as equipes que joguei”, relembrou o craque da 8.

Aos 19 anos, o comentarista já estava no Botafogo, time sensação da década de 60, pois contava com craques como Garrincha, Didi, Zagallo e Nilton Santos. “Eu joguei com e contra os maiores jogadores do mundo. Sou muito feliz por isso. Eu fiz parte de uma geração de gênios e esses craques não iam pra fora, eles continuavam jogando no Brasil. Eu convivi com boa parte da safra campeã do mundo em 1958. Cheguei ao Atlético bem mais rodado, com 24 anos, depois de jogar no Botafogo”, disse Sicupira.

O ex-jogador chegou ao Furacão em 1968, mas só foi conquistar um título em 1970, ao erguer a taça do Campeonato Paranaense, como ele relembrou durante o Círculo desta noite: “Tudo no Atlético era difícil naquela época. Nós nem éramos favoritos em 1970, o Coritiba tinha um baita time. Eles mereciam ter ganho em 1970 e nós em 1972, mas em 72 engatamos uma sequência de seis vitórias seguidas, chegamos com a maior moral pra fazer a final com o Coxa. Só que aí perdemos o primeiro jogo por1 a 0, metralhamos eles na partida de volta, mas ficamos no0 a 0 e eles foram campeões”.

O ponto alto da noite foi quando o craque da 8 contou histórias de bastidores e da convivência com dirigentes, árbitros e jogadores da época. “Tudo que você ouviu sobre o Garrincha é verdade. Ele não tinha responsabilidade nenhuma, vivia sumindo e não aparecia pra treinar. Ele só queria se divertir”, afirmou. “Tinha um árbitro, que eu prefiro não falar o nome, que era dono de um bar onde o time do Coritiba viva se reunindo. Em um Atletiba eu cheguei a ouvir ele falar pra um jogador do Coxa: ‘toca a bola pro Kruger na direita'”, completou.

Sicupira explicou ainda como decidiu parar de jogar futebol, aos 31 anos. Ele admitiu que poderia ter prolongado um pouco mais a carreira, mas que resolveu parar porque andava chateado com a diretoria do Atlético, que atrasava salários e não cumpria o combinado com os jogadores. “A gente voltou de uma excursão pro Espírito Santo e eu tava de saco cheio daquela diretoria. Aí simplesmente resolvi parar, sem um jogo de despedida, sem nada. Não tenho nada pra falar contra a instituição Atlético- nem contra a torcida que sempre me tratou muito bem, mas sim contra algumas pessoas que passaram pelo clube. Mas a gente passa e o Atlético fica e eu sou muito grato a esse clube. O Atlético faz parte da minha vida”, disse o comentarista.

Formado em Educação Física, Sicupira revelou que em todos os seus contratos havia um cláusula de “facilidade para estudar”, para que os clubes não impedissem que ele fosse à faculdade e concluísse seu curso. “Como eu fazia faculdade, eu não gostava muito de treinar a parte física porque eu tinha um preparo físico muito bom. Meu negócio era treinar com bola, isso eu gostava bastante”, revelou.

O ex-jogador revelou ainda qual o gol mais bonito de sua carreira, que aconteceu no dia 07 de setembro de 1963, quando ele ainda jogava pelo Ferroviário. Era uma partida contra o Primavera e Sicupira recebeu a bola, deu chapéu em três adversários e bateu de perna esquerda para o fundo do gol. “A torcida não sabia nem como comemorar aquele gol. Alguns aplaudiram, outros me jogaram dinheiro das arquibancadas”, completou.

Por fim, Sicupira falou da suaforte ligaçãocom o Atlético e agradeceu o carinho que sempre recebeu dos torcedores rubro-negros. “É o Atlético quem eu agradeço, esse clube faz parte do que eu sou até hoje. A torcida tem meu respeito, porque eu sempre fui bem tratado, tanto pelos mais velhos, quanto pelos jovens. Eu me lembro muito mais dos meus oito anos de Atlético do que dos outros clubes em que joguei. O Atlético tem muito mais importância”, disse Sicupira, em uma noite que certamente ficará na memória de todos os atleticanos presentes no evento.