Por Guilherme Coimbra e Pedro Melo

Marcelo Ortiz, Osmar Antônio e Sicupira fizeram parte da equipe Banda B no título do Atlético. (Banda B)

O rádio é o veículo que sempre trabalhou com a imaginação de todo o público e também leva muita emoção para os torcedores em jornadas esportivas. No dia 23 de dezembro de 2001, a Banda B fez algo inimaginável para a ocasião: levar a transmissão de uma rádio de Curitiba para os torcedores do Atlético no estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul.

Para isso, o técnico de externa na Banda B, Rodrigo Marinho, conseguiu uma antena para que a cobertura da Banda B fosse transmitida em uma faixa FM dentro do estádio. De acordo com o narrador Marcelo Ortiz, a informação rapidamente se espalhou entre os torcedores atleticanos e praticamente todos escutaram a emoção do título na narração de uma rádio curitibana.

“O Rodrigo Marinho, nosso técnico, montou todo equipamento e um retorno que também pegava em uma faixa de FM que não pegava nenhuma emissora na cidade. O nosso repórter passou essa informação para os torcedores atleticanos que teria uma transmissão de uma rádio de Curitiba no direto do estádio. Uma das coisas que marcou positivamente foi que um torcedor passou para o outro e muitos radinhos foram vendidos do lado de fora porque teria a chance de ouvir uma voz de rádio curitibana. Foi muito gratificante para a Banda B realizar essa cobertura. A Banda B, com o comando de Luiz Carlos Martins e Michel Micheleto, estava no seu segundo para terceiro ano, então, fazer uma cobertura de título brasileiro logo no início foi muito legal”, declarou o narrador da Banda B nas duas partidas da decisão.

Osmar Antônio cobriu toda a campanha do Atlético pela Banda B. (Banda B)

Entretanto, os trabalhos da Banda B não começaram apenas no dia do jogo. No sábado (22/12/2001), dia anterior a grande decisão, a programação ao vivo da emissora foi feita diretamente do hotel onde estava concentrado o Rubro-Negro. “A cobertura da Banda B começou um dia antes, a equipe ficou no mesmo hotel em que o Atlético e vivemos tudo que os jogadores viveram naquele dia. Fizemos toda a programação de sábado ao vivo direto do hotel e de madrugada passamos por tudo que os jogadores passaram com muito foguetório e barulho. Ninguém conseguiu dormir direito”, contou Marcelo Ortiz.

Após o título, a equipe da Banda B se dividiu para retornar a Curitiba. O repórter Osmar Antônio, responsável pela cobertura do Atlético durante o Brasileirão, e o comentarista Barcímio Sicupira, um dos maiores ídolos da história do clube, voltaram junto com a delegação atleticana no avião. Porém, a ansiedade dos jogadores aumentou a cada vez momento depois que voo atrasou. “Deu um problema grande porque o avião atrasou e quem viajou de carro até chegou de carro. Nós só chegamos em Curitiba de madrugada e fomos direto para a Arena da Baixada. O Nem, que era capitão, agitou a torcida e foi uma cobertura perfeita nesse título”, relembrou Osmar Antônio.

“O pessoal estava muito apreensivo pelo atraso, mas no momento em que embarcamos todos os jogadores estavam fazendo festa e nós, jornalistas, fazendo o registro. Só não transmitidos a festa de dentro do avião porque a legislação não permite. Lá do aeroporto até o momento da chegada foi muito show. Deu muito orgulho fazer essa cobertura”, complementou o repórter.

Mesmo com o atraso do voo, os atleticanos aguardaram por horas a chegada do clube e a Banda B seguiu ao vivo por toda a madrugada com repórteres no aeroporto Afonso Pena e também na Arena da Baixada. “Em Curitiba, o Paulo Sérgio já estava no aeroporto para aguardar a chegada dos jogadores. A nossa cobertura acabou no Anacleto Campanella e continuou por toda a madrugada dentro da Arena, na Praça do Atlético e também no aeroporto. Foi uma cobertura que começou no domingo lá no estádio e terminou na segunda de madrugada porque o avião atrasou”, concluiu Ortiz.

Há 15 anos, o Atlético conquistava o Brasil e a Banda B realizava uma das grandes coberturas de sua história.