Tite e Edu Gaspar já visitaram as instalações de Sochi. (Divulgação/CBF)

A comissão técnica da seleção brasileira já estuda a possibilidade de encontrar uma segunda base na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, a ser utilizada a partir das oitavas de final. O Brasil escolheu Sochi como quartel-general, mas o sorteio dos grupos apontou que a equipe não jogará na cidade e ainda poderá ter de percorrer quase 20 mil quilômetros durante o Mundial. Um segundo local para concentração seria uma maneira de encurtar as distâncias.

Antes mesmo de saber onde jogaria, o Brasil garantiu a base estabelecida pela Fifa em Sochi, no extremo sul do país. O que atraiu a CBF foi a infraestrutura do local. Também pesou contar com dois campos de treinamento a menos de 500 metros dos quartos dos jogadores.

O problema é que ser sorteado para o Grupo E – ao lado de Suíça, Costa Rica e Sérvia – frustrou os planos da comissão técnica de jogar em Sochi. “Essa variável eu não tinha como controlar”, lamentou o técnico Tite.

Assim, se insistir em ficar na cidade por toda a Copa do Mundo, saindo para jogar e voltando em seguida, a seleção poderia ser obrigada a viajar 19,6 mil quilômetros, afetando o ritmo de treinamentos e desgastando os jogadores.

No entanto, pelas regras da Fifa, uma vez fechado o acordo com a base, como já ocorreu, o Brasil tem a obrigação de ficar nela até o final da primeira fase. Depois, estaria livre para buscar outra solução. E aí que entram os estudos para verificar a disponibilidade de outro local a partir das oitavas. Se optasse por ficar em Moscou, por exemplo, a seleção viajaria apenas 7,4 mil quilômetros até a final.

Na comissão técnica, a possibilidade de buscar uma concentração alternativa está em debate. Neste domingo, ao começar a montar o plano de ocupação do hotel em Sochi, Tite ficou entusiasmado com o local. Mas terá de pesar a qualidade da estadia com a exigência das viagens.

O que ainda está em consideração é se trocar de hotel na fase final será um peso a mais ou um alívio para os jogadores. Um dos cenários seria o de permanecer até o dia 27 de junho, 10 dias depois de começar o Mundial e 17 dias depois de o Brasil chegar ao balneário. O outro é o de permanecer até o final em Sochi, desfrutando da infraestrutura montada para a seleção.

CAMPOS DE TREINOS – Enquanto o Brasil avalia o que fazer, operários russos passaram o dia, neste domingo, nos dois campos de treinamento em Sochi que ficarão à disposição da seleção para adiantar o máximo possível o trabalho. Mesmo durante a noite, um trator com suas luzes percorria o futuro gramado, preparando a terra para uma plantação de sementes que deve ocorrer ainda neste mês.

O motivo da pressa era claro: nesta segunda-feira, Tite e o coordenador de seleções da CBF, Edu Gaspar, vão visitar o local e os organizadores querem ter certeza de que terão o que mostrar

Juntos, os dois campos estão exigindo investimentos de 2,2 milhões de euros (R$ 8,5 milhões), bancados pelo Ministério dos Esportes da Rússia. Em um deles, nova grama foi plantada e o local estava coberto por uma tela. “As sementes vieram da Bélgica”, contou à reportagem Alexander Khomenkov, dono da empresa que está preparando o local, a Intersportstroy.

Ali, ele ainda planeja colocar placas ao longo do campo para garantir a Tite uma certa privacidade para poder realizar até mesmo treinos secretos. Mas, à beira do Mar Negro e aos pés de morros, o local é de fácil acesso visual a partir dos prédios e lajes nas redondezas.

O hotel que hospedará a delegação é considerado uma das “joias” da cidade. Conta com uma praia privativa, piscina externa aquecida, quartos de luxo e é o destino predileto de astros russos que querem privacidade ao visitar a Riviera. Em um preço de tabela, cada quarto pode custar 450 euros (R$ 1,7 mil) por noite.