Marco Aurélio Cunha esteve com a delegação do Brasil na Copa América. (Rafael Ribeiro/CBF)

Coordenador de futebol feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha aproveitou o fato de a seleção brasileira ter conquistado o título da Copa América, no último domingo, em La Serena, no Chile, para valorizar o time nacional e a própria conjuntura da modalidade como um todo no País. Embora o técnico Vadão tenha reclamado, às vésperas de embarcar para a competição continental, que trabalha com muito poucas opções nos clubes nacionais para convocar o Brasil, o dirigente afirmou nesta segunda-feira que “discorda um pouco” do treinador e acredita que a modalidade cresceu muito em solo nacional nas competições femininas nos últimos anos.

Em entrevista por telefone ao Estado enquanto se preparava para fazer uma conexão até Santiago, de onde embarcará em voo com destino ao Brasil, o dirigente disse não ver a seleção tão dependente da CBF hoje como o comandante acredita que ainda esteja. Embora exalte a importância que a seleção permanente teve neste período de preparação para a Copa América, com um grupo de 11 das 22 jogadoras convocadas para o torneio treinando na Granja Comary e sendo bancadas pela entidade desde janeiro, em Teresópolis (RJ), Marco Aurélio diverge da opinião do comandante ao analisar o cenário do futebol nacional.

“Discordo um pouco do Vadão neste aspecto. Os campeonatos estão muito bons, muito melhores do que eram antes, com os Brasileiros das Série A1 e A2 com 16 times em cada um. E agora teremos a legislação que obrigará os clubes a terem equipes femininas para poderem disputar a Copa Libertadores (a partir do próximo ano)”, afirmou o coordenador da CBF, que depois enumerou alguns clubes que qualificou como boas opções para Vadão convocar jogadoras para a seleção.

“Eu vejo o Corinthians muito forte, vejo o Santos muito forte. O eixo do futebol feminino de São Paulo está muito forte. E vejo também que começa a ficar forte o futebol feminino na Bahia e também no Sul, agora com Grêmio e Inter. O patamar do futebol brasileiro subiu muito, o que falta é uma competição mais longa que dê mais tempo para as jogadoras. Nos Estados Unidos, o campeonato nacional tem sete meses. E quando termina o campeonato da liga americana as jogadoras já vão disputar outros torneios”, completou o dirigente, para em seguida enfatizar: “Acho que os clubes estão hoje com capacidade de dar atletas melhores à seleção do que davam anteriormente”.

SEM GRUPO FECHADO – Com a conquista do título da Copa América, a seleção brasileira assegurou classificação aos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, e também ao Mundial de 2019, na França, mas Marco Aurélio fez questão de ressaltar que ainda é preciso seguir garimpando novos talentos para fortalecer a seleção, que na Copa América foi formada por uma mescla de jogadoras veteranas como Marta, Cristiane e Formiga e atletas jovens como Bia, Thaisinha, Andressinha e Debinha.

“A primeira coisa que precisávamos fazer era garantir o calendário do futebol feminino. Sem isso o planejamento perderia toda a sua força. Fizemos um trabalho prevendo as dificuldades e visando a Copa América. E se não tivesse o trabalho feito com a seleção permanente, elas não conseguiram recuperar a condição física que perderam por não estarem jogando. Essas meninas são o futuro da seleção feminina, mas muita coisa pode mudar até o Mundial e até a Olimpíada. Vamos observar os jogos no Brasil e no exterior, o movimento das jogadoras que estão surgindo e fazer um monitoramento. Não há uma ‘confraria’ aqui. Estaremos próximos delas, pretendemos acompanhar partidas das jogadoras brasileiras nos Estados Unidos, assistir os jogos in loco e ver como se comportam também taticamente”, projetou o dirigente.

Marco Aurélio admitiu que este é um projeto dele e da própria CBF que precisa ter a aprovação financeira da chefia da entidade para que seja colocado em prática de forma eficiente, mas avisou: “Pretendemos acompanhar o Mundial Sub-20, que será na França, e o Mundial Sub-17, no Uruguai, para dar continuidade à renovação na seleção e ver as atletas com as quais poderemos contar”.

O dirigente também confirmou que o Brasil deverá participar neste ano de mais uma edição do Torneio das Nações, competição amistosa nos Estados Unidos, entre o final de julho e o começo de agosto, e vai aproveitar as datas Fifa para agendar amistosos na continuidade desta temporada. “O torneio terá a participação do Brasil e das norte-americanas, com certeza, e pode ser que volte a contar com Japão e Austrália, que já disputaram a competição no ano passado”, previu.