Por Pedro Melo 

(Divulgação)

Fernando Meligeni cobra uma mudança completa no esporte brasileiro. (Reprodução/Facebook)

Faltando pouco mais de 40 dias para a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro ainda não se sabe como o Centro Olímpico de Tênis será utilizado depois das competições. O principal interessado em assumir o local é a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), que pode transferir sua sede para o Rio de Janeiro e ainda usar as quadras para o desenvolvimento do tênis brasileiro.

Complexo Olímpico de Tênis ainda não tem futuro definido. (Alex Ferro/Rio 2016)

Complexo Olímpico de Tênis ainda não tem futuro definido. (Alex Ferro/Rio 2016)

Como toda essa situação ainda é mera especulação, alguns nomes importantes no esporte brasileiro crítica toda essa indefinição. Em entrevista à Banda B, o ex-tenista Fernando Meligeni afirmou que o assunto já deveria ter sido elucidado antes do início das obras. “A gente não tem um gestor do complexo, não sabe quanto vai custar e com quem vai ficar. Vira Brasil essa ideia de quando acabar a Olimpíada, vai começar a se ver. Depois de seis meses, vai começar a deteriorar, o governo não vai querer falar, a prefeitura vai falar que não é dela e a Confederação também vai falar que não é. Isso era uma coisa que deveria ter sido feita há três, quatro anos”, comentou.

“Por um lado é muito legal, mas do outro é muito grande para o tênis do Rio de Janeiro. Uma quadra para 10 mil pessoas terá que ser feita alguma coisa, mas é preocupante. Se não fizer nada, vai se falar que sempre quiseram um centro de treinamento e agora que tem, não souberam usar. Já devia estar andando isso e ninguém sabe o que acontecer quando acabar”, acrescentou.

Brasil na Olimpíada

Fernando Meligeni já viveu a sensação de disputar os Jogos Olímpicos e por muito pouco não ganhou uma medalha em Atlanta 1996. Para o ex-tenista, o que menos para o Brasil é o resultado no quadro de medalhas, mas sim, o trabalho que será realizado para melhorar o esporte brasileiro.

“O que menos importa na Olimpíada é o resultado final. Se a gente tivesse em último lugar, sem ganhar nenhuma medalha, mas tivesse mudança estrutural, política, presidentes remunerados, no ministério do esporte, nas Confederações, não me preocuparia em não ter medalha. A gente pode terminar na frente nos Estados Unidos como medalhistas e no dia seguinte ser a mesma coisa que sempre foi. O esporte vai morrendo e na segunda-feira depois da Olimpíada, os incentivos fiscais vão diminuir muito, as estruturas vão ser caipiríssimas e espero que a gente consiga segurar esse rojão”, declarou o semifinalista de Roland Garros.

Meligeni ficou em quarto lugar na Olimpíada, mas foi campeão pan-americano em 2003. (Washington Alves/COB)

Meligeni ficou em quarto lugar na Olimpíada, mas foi campeão pan-americano em 2003. (Washington Alves/COB)

Quando disputou a Olimpíada, Meligeni chegou à semifinal, mas perdeu para o espanhol Sergi Bruguera e ainda foi derrotado na disputa da medalha de bronze para o indiano Leander Paes. Entretanto, o fato de chegar tão próximo da medalha não frustrou o atual comentarista. “O Comitê Olímpico nem queria me levar, mas quando leva, eu nem imaginaria ganhar a medalha. Claro que quando chega perto, você quer ganhar. Eu sou um esportista nato que aceita a vitória e a derrota. Não posso me frustrar por não ter uma medalha olímpica porque eu tenho três títulos de ATP, fui 25 do mundo, semifinalista de Roland Garros, campeão pan-americano. Tive outras conquistas que não substituem, mas me deram outras coisas ao mesmo tempo. Lógico que queria ter ganho uma medalha, mas não ganhei porque tinha alguém melhor do que eu”, disse.

Tênis Brasileiro

Marcelo Melo e Bruno Soares são os melhores brasileiros no ranking. (Divulgação)

Marcelo Melo e Bruno Soares são os melhores brasileiros no ranking. (Divulgação)

Outro aspecto que sempre preocupou o ex-jogador é o trabalho de desenvolvimento no tênis brasileiro. Apesar do Brasil ter dois tenistas no top 10 em duplas (Marcelo Melo e Bruno Soares) e outros dois no top 100 (Teliana Pereira e Thomaz Bellucci), Fininho acredita que o trabalho é pior do que antigamente pela quantidade de informações disponíveis.

“O tênis em si é muito parecido em todas as épocas, não podemos falar da Teliana agora no feminino, porque já tivemos outros nomes. Claro que é muito bom para o tênis feminino, mas não vejo nada radical para o tênis e é muito pouco para o investimento que temos. Não me contento com pouco, por isso pareço radical, crítico, mas se a gente olhar que temos somente um tenista entre os 70 do mundo, uma menina entre as 80 do mundo e uma dupla muito sólida, não é tanto para quem já teve número um do mundo, Thomaz Koch e Maria Esther Bueno. Hoje tem muito mais informação, mais facilidade, então, estamos pior do que antes”, finalizou.