Por Pedro Melo, Felipe Dalke e Leandro Requena

Wilson está no top 10 de goleiros que mais jogou no Coritiba. (Divulgação/Coritiba)

O goleiro Wilson é um dos jogadores mais experientes do elenco do Coritiba e recentemente renovou seu contrato até o final de 2020. Com 33 anos, o camisa 84 ainda não tem planos para o seu futuro depois que pendurar as luvas e promete ao torcedor coxa-branca que o final de temporada diferente em relação aos anos anteriores, no qual brigou contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Em entrevista ao programa Jornal da Bola, o goleiro do Alviverde ainda falou sobre o técnico Pachequinho que está como interino desde a saída de Paulo César Carpegiani. Muitos jogadores do elenco já defenderam que o assistente seja efetivado como treinador, mas Wilson prefere não se posicionar sobre o assunto e deixa a decisão para a diretoria.

Confira a entrevista completa do goleiro Wilson:

Você como um dos líderes do elenco é um dos jogadores mais cobrados por essa instabilidade do Coritiba durante a temporada?

O ano não começou da forma que a gente imaginava com uma eliminação precoce na Copa do Brasil e gerou uma pressão maior no estadual. Estamos tendo mais tempo para trabalhar e o Pachequinho vai mostrando a maneira de trabalhar. Eu, que estou há mais tempo no futebol, estou acostumado com essas situações e coloca a cara para ‘bater’ para aliviar os jovens.

O Coritiba já está eliminado da Copa do Brasil e também apenas o Campeonato Paranaense e Brasileirão para disputar até o final do ano. Depois do início abaixo do esperado, qual a perspectiva para o restante da temporada?

Acredito que a gente vai dar a volta por cima no estadual e vamos continuar trabalhando forte para colocar o Coritiba no lugar que ele merece. Torcedor não aguenta mais brigar contra o rebaixamento e a gente também não. Vamos ter um final ano diferente para terminar de forma tranquila e o torcedor coxa-branca podendo comemorar

Para o elenco faz diferença se o Pachequinho é o treinador oficial ou interino?

A gente já está acostumado com essas mudanças e, infelizmente, elas acontecem. Pachequinho é nosso treinador e a gente encara da mesma maneira se fosse um treinador contratado pelo clube. Vai ficar a cargo da diretoria se vem outro treinador e por enquanto a gente procura fazer nosso trabalho. O que conta são os resultados e queremos uma sequência bom o Pachequinho para definir o futuro dele junto com a diretoria.

Desde que você chegou no Coritiba na metade de 2015, ainda não encontrou nenhum momento tranquilo com o time brigando pelo rebaixamento no Brasileirão nos dois anos e também a perda do título estadual para o rival Atlético.

Quando eu vim para o Coritiba eu já sabia que seria complicado e pedi para vir na época em que estava para o Vitória. Até me chamaram de maluco e que era doido de vir para cá nessa situação, mas era uma situação familiar e queria ficar perto da família que mora em Florianópolis e meus pais no Rio de Janeiro. Em 2015, conseguimos dar a volta por cima e continuar na Série A. Já no ano passado, eu fiquei de fora da melhor parte do estadual e sofri da mesma maneira com a derrota na final. No Campeonato Brasileiro, mais uma vez a gente não conseguiu conseguir colocar o Coritiba onde ele merece. Ainda tivemos a Sul-Americana, onde fizemos uma campanha histórica para o clube. Espero que esse ano tenhamos um final diferente e o Coritiba possa brigar no lugar que ele merece.

Wilson cobrou o último pênalti da classificação do Coritiba sobre o Belgrano no ano passado. (Divulgação/Coritiba)

Em sua passagem pelo Coritiba, você marcou um gol contra o Rio Branco [no Paranaense do ano passado] e ainda acertou um pênalti na Sul-Americana. Já teve experiências de jogar na linha também?

Quando era moleque eu também brincava na linha, mas quando o jogo era mais sério, eu ia para o gol e era onde me garantia. Mas não fazia feio na linha [risos] e sempre estou fazendo gol quando jogo rachão. Marquei um gol no estadual, também tinha dois gols na base do Flamengo e no Figueirense também fiz mais dois gols. O gol no estadual pelo Coritiba foi diferente porque estava no final do jogo e fui para a área para evitar a derrota. Já na decisão por pênaltis da Sul-Americana foi um momento importante. Naquela ocasião, não pedi para bater, mas eu vinha treinando. Quando o Carpegiani falou que era o quinto cobrador, uma meia dúzia me olhou sem entender do porque eu ia bater.

Recentemente, você renovou contrato com o Coritiba até o final de 2020, quando terá 36 anos. Já pensou se pretender continuar no mundo do futebol?

Lógico que sempre penso o que vai ser do meu futuro e tem que pensar lá na frente. Em Florianópolis, tenho uma sociedade com dois amigos de escolinha e estamos com um projeto bacana, mas não posso depender só disso. Eu pretendo continuar na área de futebol, mas não sei qual. Eu fiz um curso de gestão de futebol e é uma área que me interessa. Porém, com 36 anos, eu ainda não pretendo me aposentar. Eu procuro me cuidar bastante e manter uma boa sequência de jogos.

O Coritiba sempre teve uma tradição de ter goleiros que são ídolos da torcida: Jairo, Rafael, Fernando Prass e Vanderlei. Como vê esse carinho da torcida que te trata como um ídolo do clube?

Fico feliz com esse reconhecimento. Cheguei sem muito alarde e fui conquistando o meu espaço. Não sou um goleiro que gosta de fazer muito marketing e sempre tive o carinho do torcedor em todos os clubes que passei. Procuro trabalhar forte e ser exemplo para os mais jovens. Dentro de campo, dou o máximo e respeito a camisa que estou vestindo. Espero até o último dia em que estiver no Coritiba, quero manter essa tradição da torcida admirar os goleiros.

Com esse carinho da torcida e o histórico de sempre permanecer por muito tempo nos clubes em que passou, tem o desejo de encerrar a carreira jogando no Coritiba?

Não sou de ficar mudando de clube e onde passo costumo manter uma sequência boa. O Coritiba vem me dando toda a estrutura e Curitiba também é uma cidade muito boa. Difícil pensar em sair do Coritiba. Mas o futebol muda muito rápido independente se para o lado bom ou ruim. Tem sempre que trabalhar forte e manter uma sequência para ter essa regularidade.

Você começou a carreira no Flamengo, mas teve passagens por clubes menores [Portuguesa e Olaria]. Como foi esse início em que não foi aproveitado pelo Flamengo?

Quando eu subi para o profissional tinha Júlio César, Diego e Getúlio Vergas e logo depois da saída do Júlio César, ainda chegou o Bruno. Eu mesmo pedi para ser emprestado e mostrar meu potencial. Tive uma chance de jogar a parte final do estadual pela Portuguesa e logo depois na segunda divisão o Olaria pediu para jogar lá. Isso foi muito importante para mim e ganhei evidência tanto que fui jogar no Figueirense. No final de 2008, eu rescindi com o Flamengo e acertei em definitivo com o Figueirense, onde fiquei até 2012 e tenho uma história muito bacana.

Depois de sair do Figueirense, a sua passagem pelo Vitória teve um início de destaque, mas foi perdendo espaço com o tempo. O que aconteceu durante o período em que jogou no Vitória?

O primeiro foi ano foi muito bom e a gente foi campeão estadual em uma final história contra o Bahia em que vencemos por 7 a 3. Fizemos também um grande Brasileiro em que quase chegamos na Libertadores. Mas no ano seguinte, a remontagem do elenco não foi da mesma altura e acabamos rebaixado. Nas últimas cinco rodadas, eu tive uma lesão no ombro em jogo contra o Coritiba, tive que fazer uma cirurgia e fiquei cerca de cinco meses par voltar bem. Quando eu voltei, naturalmente comecei no banco e apareceu situações para sair.

Quando você começou a jogar futebol ainda criança, quem era a sua maior inspiração como goleiro?

Eu comecei a jogar futsal, em clubes, no ano de 1994, bem na época da Copa do Mundo. Então, não tem como não admirar o Taffarel. Além dele, como cresci no Flamengo, também sempre observei e admirei o Júlio César que me deu muitos conselhos e ajudou bastante durante minha carreira.