Parece que o Clube treze está com os dias contados. Se depender dos 10% que receberá até esse ano da Rede Globo, pode fechar as portas e deixar as chaves com o porteiro. Nesta quarta-feira (16), treze dos vinte clubes que formam o C13 vão assinar contrato de renovação com a Globo pelos próximos três anos de transmissão do Brasileirão 2012/2014.

É uma cesta de produtos negociada individualmente com cada clube, como anunciaram os próprios, desde da instalação de uma comissão de TV no C13, que desagradou os principais times do Brasil. A cesta é composta de direitos de transmissões dos jogos em Tv aberta, fechada, internacional, pay-per-view, internet e telefonia, como queriam os clubes dissidentes, optando pela audiência, programas diários, programação forte, sistema de ppv e outros recursos oferecidos pela tv Globo e seus canais de comunicação.

Tudo isso diferente da intenção do C13 de negociar em separado cada mídia. Na visão do C13 com a possibilidade de um faturamento maior, mas, os dissidentes enxergam tais propostas com receio de não cumprimento de contratos, deixando de oferecer os produtos no meio do caminho.

O Internacional foi um dos últimos a aderir a proposta da TV Globo. Ainda faltam times de pesos publicitários e de camisas fortes como São Paulo, Atlético-MG, Atlético-PR e o Sport, que mesmo na série B, tem torcida e grandes consumidores. Liderados por Flamengo e Corinthians, Fluminense, Vasco da Gama, Botafogo, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Internacional, Grêmio, Goiás, Coritiba e Vitória, assinam os documentos nas próximas horas, com a TV Globo, reconhecendo o valor de mercado de cada um, perante aos consumidores finais.

Essas assinaturas podem selar de vez o fim do C13, assim como foi feito pela CBF com a FBA que discutia os contratos da série B em nome dos clubes. Politicamente a FBA se tornou inviável e foi cortada a ajuda de administração dos contratos da Tv Globo de 10%. Essa medida será repetida agora e esse percentual será dividido entre os clubes participantes, dando fim a administração de Fábio Koffe à frente do C13.

Uma coisa é certa. Quem não assinar com a Globo terá sérias dificuldades financeiras. Faltarão as cotas, algumas já adiantadas e a mídia televisiva para mostrar a marca do patrocinador, e sem visibilidade, nenhuma publicidade será estampada nos uniformes, estádios e centros de treinamentos, gerando um grande prejuízo.

O CADE -Conselho Administrativo de Direito Econômico – foi atendido na sua determinação de licitação pública. A TV Globo, sem a Rede Record para fazê-la gastar mais, ignorou o C13, negociou diretamente e está com a caneta na mão esperando quem ainda não veio para o lado dela. Ao fechar a torneira do dinheiro, a TV Globo vai matar de sede alguns desafetos que apostaram num novo canal de esportes sem o realce da Vênus Platinada.

Os próximos capítulos dessa novela prometem mais emoção. Como conquistar os corações de Alexandre Kallil do Atlético e principalmente de Juvenal Juvêncio, cuja o folhetim vem desde a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014. A cena principal foi quando o Morumbi não atendeu a FIFA, depois de prometer ir ao chão e surgir novinho em folha para a abertura do mundial. Diria vovó Iracema, já no céu, “foi a gota d’agua para essa choradeira toda”. E eu acrescento, o que não faz uma velha Taça de Bolinhas, fruto dessa confusão toda.