Curitiba é a primeira capital do Brasil a fazer o cadastramento de torcidas organizadas. O projeto Torcida Legal previsto pelo Estatuto do Torcedor e desenvolvido pelo Ministério do Esporte é uma medida para tentar conter a violência nos estádios em todo o país. O cadastro é biométrico, semelhante ao empregado pela Justiça Eleitoral. A estimativa é de que nos próximos doze meses cerca de 475 torcidas organizadas sejam cadastradas.

A coordenadora da Assessoria Especial de Futebol do Ministério do Esporte, Sara Carvalho, explica que o objetivo do cadastro vai além da identificação de possíveis baderneiros. “Queremos mudar a cultura da ida aos estádios. Voltar aos velhos tempos, quando toda a família comparecia sem medo da violência. A cultura do esporte é a agregação das pessoas, é isso que queremos retomar”, apontou.

Nesta terça-feira (28), representantes da Império Alviverde, Os Fanáticos e Fúria Independente tiveram suas digitais coletadas, foram fotografados para registro no banco de dados e tiveram documentos analisados. “Com o cadastro, vamos agir com os rigores da lei em relação apenas ao infrator”, alertou Sara. Curitiba foi escolhida para inaugurar o projeto devido ao grave episódio de violência protagonizado por por parte da torcida do Coritiba, em dezembro de 2009.

O presidente da Fanáticos, Julião Sobota, elogiou a iniciativa e pediu volta da família para os estádios. “No nosso histórico, temos aproximadamente 26 mil pessoas. Mas não estamos preocupados com quantidade, queremos qualidade e atitude das pessoas. Nossa prioridade é a família indo ao campo”.

Para o representante da Império Alviverde, Luiz Fernando Papagaio, porém, as medidas serão insuficientes se não houver mais envolvimento dos clubes. “Tem que haver mais comprometimento entre todos os setores, principalmente dos clubes”, afirmou.