Por Guilherme Coimbra

Caso Getterson segue causando polêmica no Campeonato Paranaense (Yuri Casari/Do Rico Ao Pobre)

A novela do ‘caso Getterson’, do JMalucelli, está longe de um desfecho final. Em um novo capítulo, clubes ameaçados de rebaixamento no estadual planejam a paralisação do Campeonato Paranaense através de uma medida cautelar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), nesta terça-feira (28), véspera da última rodada da primeira fase da competição. Foz do Iguaçu, Toledo, Rio Branco e PSTC recorrem como terceira parte interessada no processo e querem evitar que a segunda fase inicie antes de uma definição.

O PSTC Procopense, através de seu representante legal, o advogado Ruan Stefankowski, declarou que vai aguardar o desfecho da primeira fase para tomar uma posição. “Na verdade, o pedido já está pronto e o PSTC não faz parte dele até o momento. Será apresentado hoje no STJD, encabeçado pela equipe do Foz do Iguaçu e Toledo. O PSTC aguarda o resultado da rodada de amanhã [quarta-feira], para ver se a perda de pontos do JMalucelli vai interessar à equipe. Se houver o interesse, o departamento jurídico vai entrar com pedido autônomo de análise do efeito suspensivo”, explicou em entrevista à Banda B. “Até o momento, o PSTC não aderiu à medida cautelar, nem no TJD-PR e nem no STJD”, complementou.

De acordo com o presidente do Toledo, Carlos Dulaba, a intenção de paralisar o Campeonato Paranaense não é dos terceiros interessados e sim do próprio JMalucelli. “Na realidade, quem está parando o campeonato não são os outros clubes. Quem está parando o campeonato é o JMalucelli, que usou uma artimanha política para não sair o julgamento no STJD na quinta-feira”, frisou.

Com um novo julgamento sem data prevista para acontecer e dependendo dos embargos de declaração, pedidos pelo JMalucelli, serem julgados pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PR), na próxima quinta-feira (30), os clubes revelaram preocupação por definição antes do início da segunda fase.

Na verdade, o Foz desde o primeiro momento, quando houve a denúncia, já se prontificou como terceiro interessado. O jurídico do JMalucelli conseguiu adiar o julgamento no STJD. Com as liminares que eles entraram na semana passada, eles evitaram que o processo deles fosse julgado antes da rodada final. Com isso, eles ganharam 12 ou 13 dias de tempo e nós estamos preocupados que o início da próxima fase seja marcado sem definir a situação. Então, a medida provisória será por precaução para que a próxima fase não tenha início antes do julgamento”, afirmou Ariff Osman, presidente do Foz do Iguaçu.

Ariff ainda destacou que não haverá desistência, mesmo se o caso não interessar mais aos clubes após a última rodada. “Nós fizemos um acordo entre os clubes justamente por esse motivo. Se esperarmos a rodada de amanhã, certamente alguns clubes desistirão desta ação e teremos menos prazo para parar o campeonato. Então, Toledo, Rio Branco e Foz decidiram entrar juntos, mas não acredito em desistência de ninguém. Tem que ser julgado, pois fica até feia a situação do campeonato se derem sequência sem julgar a ação”, concluiu o dirigente.

De acordo com o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR), Leandro Rosa, o órgão vai julgar o embargo do Jotinha sem a possibilidade de uma paralisação, que só deverá ser feita sob recurso dos clubes ao STJD. “O TJD não tem por que paralisar. Já foi julgado e só vai concluir, porque um dos clubes provocou a complementação do julgamento agora, que vai se concluir na quinta-feira e depois disso não tem mais nada que seja feito na Justiça Desportiva do Paraná. Se os clubes tiverem interesse, terão que recorrer ao STJD”, ressaltou.

JMalucelli se defende e afirma que embargo é apenas para “reforçar absolvição”

O Jotinha se defendeu através de seu advogado, Marcelo Contini, explicando que o embargo foi feito apenas para reforçar os argumentos da defesa na absolvição e não com a intenção de adiar o recurso ao STJD. “Nós não estamos paralisando nada. O JMalucelli não tem interesse nenhum de paralisar o campeonato, muito pelo contrário”, contou. “Esse embargo não afeta o que já foi julgado. Ao contrário, ele só vem para reforçar a absolvição. São dois pontos que reforçam esta questão”, finalizou.