Redação com Portal Terra

Na noite de futebol desta quarta-feira (12) pela Copa Libertadores, o destaque não foi a bola. Na primeira rodada da fase de grupos, o fato de maior repercussão foi o caso de racismo da torcida do Real Garcilaso contra o volante Tinga, do Cruzeiro, na partida que terminou 2 a 1 para os peruanos. Uma série de manifestações pedindo punição apareceram, e a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) tem poder para realizá-las.

Tinga é mais uma vítima do racismo no futebol (Foto: Divulgação/Cruzeiro)

O Regulamento Disciplinar da entidade prevê medidas disciplinares para casos como esse, em que os torcedores imitaram um macaco a cada vez que Tinga pegava na bola, que pode chegar até à desclassificação da equipe envolvida – ainda que historicamente a Conmebol opte por, no máximo, medidas brandas.

O artigo 12 do documento é o que trata de “discriminação e comportamentos similares”. A punição mais leve em caso de manifestações racistas é uma multa de US$ 3 mil (cerca de R$ 7 mil) ao clube. Mas além de mexer no bolso, outras medidas práticas que podem ser aplicadas são a perda de mandos, jogos com portões fechados, perda de pontos e a já citada desclassificação.

A Conmebol se manifestou sobre o caso por meio de uma rede social, afirmando que irá analisar os acontecimentos e tomar as medidas cabíveis. “Pedimos tranquilidade aos torcedores do Cruzeiro. No entanto, sabemos que algo a ser repudiado”, afirmou no perfil da Copa Libertadores no Twitter.

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Veja o que diz o regulamento da Conmebol sobre racismo:

Artigo 12 – Discriminação e comportamentos similares

1 – Qualquer pessoa que insulte ou atente contra a dignidade humana de outra pessoa ou grupo de pessoas, por qualquer meio, por motivos de cor de pele, raça, etnia, idioma, religão ou origem será suspensa por um mínimo de cinco partidas ou por um período de tempo específico;

2 – Qualquer associação membro ou clube cujos torcedores realizem os comportamentos descritos no parágrafo anterior será sancionado com uma multa de ao menos US$ 3 mil (R$ 7 mil);

3 – Se as circunstâncias particulares do caso requerirem, o órgão disciplinar competente pode impor sanções adicionais à associação membro ou ao clube responsável, como jogar um ou mais jogos de portões fechados, a proibição de jogar uma partida em um estádio determinado, concessão da vitória do encontro pelo resultado que se considere, a perda dos pontos e a desclassificação da competição;

4 – Se proíbe qualquer propaganda de ideologia extremista antes, durante e depois da partida. Aos infratores deste caso, se aplicarão as sanções previstas nos parágrafos de 1 a 3 deste mesmo artigo.