Curitiba é a primeira entre as 12 Cidades-Sede da Copa do Mundo de 2014 a receber uma etapa do maior fórum sobre futebol das Américas: o FOOTECON– Fórum Internacional de Futebol, que reuniu cerca de 550 pessoas nesta segunda-feira (28), no Pátio Batel.

O técnico tetracampeão do mundo, coordenador do FOOTECON, Carlos Alberto Parreira, falou da escolha da capital paranaense como a primeira entre as cidades-sedes a receber o evento. “Curitiba é uma cidade estratégica e tem destaque na Região Sul. Por isso, a decisão de começar a versão compactada do evento por aqui”, disse ele.

A tônica do evento foi a preparação para o Copa do Mundo 2014, em todos os âmbitos. Ponto de quase unanimidade entre os palestrantes: o Brasil precisa amadurecer tanto dentro como fora de campo. “O futebol é tanto uma escola de formação de craques como um pólo de negócios. Isso precisa ser equalizado, de modo que possamos ter uma boa Copa do Mundo e aproveitar o legado deixado por um evento deste porte”, afirma Parreira.

O evento foi aberto pelo secretário municipal da Copa 2014, Luiz de Carvalho, que fez um balanço das obras que estão sendo realizadas na cidade. “As obras para a Copa avançam em Curitiba. Discutir aqui os rumos para o mundial de futebol, com nomes tão ilustres do mundo esportivo, é um privilégio para a nossa cidade. Não debatemos apenas as obras, mas também uma nova fórmula de fazer gestão profissional no futebol.”

Entre as obras que fazem parte do pacote local de investimentos para a Copa do Mundo 2014, algumas já foram entregues, como as trincheiras da Rua Chile e dos bairros Bacacheri/Bairro Alto. Outras estão em andamento, como a Linha Verde Norte e o Anel Viário, além das programadas como a trincheira da Rua Guabirotuba, que formará o binário com a Rua Chile por baixo do corredor Aeroporto-Rodoferroviária – região próxima à Arena da Baixada, estádio que receberá os quatro jogos da Copa do Mundo.

Além de Parreira, outros nomes de referência no futebol, como o dirigente José Carlos Brunoro, o técnico René Simões, o campeão da Copa de 70 e cronista esportivo Paulo Cezar Caju e o palestrante e consultor motivacional Evandro Mota, discutiram a realização do torneio mundial no Brasil, a preparação física dos atletas e o trabalho nas categorias de base nas equipes.

O ex-presidente do Sport Club Internacional, Fernando Carvalho, deu destaque para as perspectivas do futebol brasileiro com vistas à Copa e ao futuro. Para ele, “os estádios de futebol devem se transformar em arenas de entretenimento”. Em seguida, José Carlos Brunoro apresentou um levantamento sobre marketing esportivo no Brasil nos últimos anos.

Evandro Mota comandou a última palestra da manhã: “Mentalidade Vencedora: como motivar jogadores e equipes para as competições de alto nível e como mantê-la ao longo da temporada”. O ex-consultor do Internacional deu várias dicas para os participantes e apresentou alguns vídeos motivacionais.

Foram realizadas também mesas-redondas com a participação de René Simões, ex-técnico da seleção brasileira sub-17, de Marquinhos Santos, técnico da seleção brasileira sub-15, e do gerente de Futebol do Coritiba Footbal Clube, André Mazzuco, que debateram o processo de formação do atleta brasileiro.

O planejamento do condicionamento físico de equipes profissionais, o calendário intenso e os processos recuperativos dos atletas foram os temas trabalhados pelo preparador físico da seleção brasileira sub-20, Alexandre Lopes, e o professor doutor do curso de Educação Física da UFPR, Raul Osiecki.

Para Alexandre Lopes, manter a alta performance do jogador em um calendário cada vez mais intenso é o desafio dos profissionais de preparação física. “Os atletas têm corrido cada vez mais e trabalhado com muito mais intensidade do que anos atrás. Eles estão cada vez mais fortes e mais velozes. Os clubes e comissões técnicas precisam ver que atletas diferentes têm necessidades diferentes”, afirmou.

O técnico Carlos Alberto Parreira fez uma análise do Barcelona, atual campeão mundial de futebol. O tetracampeão fez questão de frisar que o time catalão é a base da seleção espanhola em 2014. “Só o Messi não faz parte, por razões óbvias. Temos que nos preocupar, sim, com essa seleção que virá para o Brasil com o objetivo de ser bicampeã”, pontuou.

A complexidade do futebol em tempos globalizados foi o tema do debate final do FOOTECON Curitiba, em mesa composta pelo técnico do Paraná Clube, Ricardinho, pelo campeão da Copa de 70 e cronista esportivo, Paulo Cezar Caju, pelo superintendente de futebol do Coritiba, Felipe Ximenes, e pelo diretor de futebol do Clube Atlético Paranaense, Sandro Orlandelli.