A semana do Atlético começou com decisões importantes para o futuro do clube e, principalmente, para os rumos da Copa do Mundo de 2014. Durante cinco horas de assembleia extraordinária, os conselheiros ouviram três propostas e definiram a empreiteira que vai tocar o canteiro de obras em que deve se transformar a Arena da Baixada. As obras devem começar entre setembro e outubro, como informou o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Gláucio Geara, que participou do Balanço Esportivo desta terça-feira (26).

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Gláucio Geara diz que Atlético já está em contato com Paraná e Coxa para definir onde o clube vai jogar

Com 60% do estádio dentro das exigências da Fifa, o Atlético ainda não pensa no local que irá mandar seus jogos quando as obras começarem. Geara garante que o clube já iniciou contato com Coxa e Paraná Clube e, com o caderno de encargos da Fifa embaixo do braço, não teme uma resposta negativa dos dois rivais. “A entidade pode obrigar que um clube ceda seu estádio para quem estiver em obras para a Copa”, avisou.

Propostas

Com 119 votos, o projeto vencedor foi o de Mário Celso Petraglia, ex-mandatário do clube e candidato à presidência nas próximas eleições do Atlético. “Valeu a democracia: as três partes puderam apresentar as propostas. Foi a maior presença de conselheiros em todas as reuniões que já fizemos”, avaliou o dirigente.

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Arena está 60% ajustada às normas da Fifa, diz Geara

A intenção era não deixar o assunto passar mais uma vez sem definição. Na briga, as três empreiteiras colocaram as cartas na mesa e, cara a cara com os representantes do clube, detalharam os planos para as reformas na Arena. A menos interessante delas, tendo como base o número nulo de votos que recebeu, foi a da construtora Triunfo, que propôs ao Furacão apenas a obra, que custaria R$ 193 milhões. Ao Atlético caberia a captação de recursos e uma dívida de 5% do valor da obra com a empreiteira.

Já a OAS, que também irá construir e gerenciar a Arena do Grêmio e a Fonte Nova, ofereceu um projeto no qual o clube pagaria R$ 28 milhões e o restante seria pago pelo potencial construtivo, gerenciado pela empreiteira. O problema, porém, era a proposta de sociedade com o Atlético: por 20 anos, empresa e clube dividiriam em meio a meio os lucros do clube.

“Temos um lucro líquido anual de R$ 4,5 milhões. A OAS nos garantiria esse valor e o que passasse disso, seria dividido entre Atlético e OAS”, explicou Geara, ao dizer que a terceira e escolhida proposta, a de Mário Celso Petraglia, assume e gerencia todos os investimentos, em uma postura independente. “É uma proposta de risco essa do Petraglia, mas conforme ele explicou, os riscos seriam diminuídos porque aumenta nosso patrimônio”, apontou Geara.A autogestão será acompanhada de perto por uma comissão com oito conselheiros do Atlético, que se reúnem desde que a Arena da Baixada foi escolhida para receber o Mundial de 2014.

Segundo o dirigente, Petraglia já trabalhava há algum tempo no projeto e, assim, os membros do conselho tinham conhecimento pleno sobre as consequências da proposta. A promessa é de que nada deve mudar para o torcedor atleticano: o preço para associados que têm cadeiras na Arena não deve aumentar, mas camarote e áreas vips podem ser reajustados.