Por Pedro Melo com informações de Felipe Dalke, Felipe Dutra e Marcelo Ortiz

Omar Feitosa explicou o trabalho feito para que Zé Roberto jogue até os 43 anos. (Felipe Dalke/Banda B)

O Palmeiras foi o grande campeão brasileiro, mas o trabalho não foi feito apenas dentro de campo. Um dos responsáveis pelo ótimo desempenho físico dos jogadores é Omar Feitosa, preparador físico do Alviverde desde março deste ano.

Em entrevista à Banda B, o profissional destacou o trabalho feito pela gestão do agora ex-presidente Paulo Nobre e também revelou o segredo do Palmeiras para ser a única equipe a derrotar o Atlético dentro da Arena da Baixada no Campeonato Brasileiro.

O Palmeiras foi a única equipe a derrotar o Atlético na grama sintética durante o Campeonato Brasileiro. Como foi feito o trabalho antes daquela partida e quais as principais diferença para o gramado natural?

Estou melhor preparado para falar neste momento. Não podemos transformar o fato de jogar em grama sintética em um monstro gigante. Quando jogamos com o Atlético, não conseguimos treinar na grama sintética e nós molhamos muito o gramado para deixar a bola rápida para simular. Para o jogador técnico, a grama sintética é sensacional porque não tem buraco, mas claro que ela quica muito e precisa de muita troca de passes, algo treinado pelo Cuca antes daquela partida. Acho muito interessante essa iniciativa.

O gramado do Allianz Parque foi muito criticado após os shows. Existe a possibilidade do Palmeiras também colocar grama sintética em seu estádio?

Lá no Palmeiras tem o problema no gramado também daí precisa colocar as lampadas para fazer a fotossíntese artifical, mas se fala em colocar também. Claro que seria diferente porque a Arena da Baixada fecha. Pelo fato de ser uma arena multiuso, poderia acontecer, mas eu só ouvi falar e não sei em que prazo.

Antes do Brasileirão, Cuca disse que o Palmeiras seria o campeão. Como foi trabalhar com esse peso nas costas durante a competição?

Deu um frio na barriga de todo mundo, inclusive dos jogadores. Mas todos falaram que se o homem falou e acredita, não tinha motivo para não acreditar. Os jogadores abraçaram a ideia e aconteceram fatos importantes que ratificaram isso. Entrou o Vagner após a lesão do Prass, mas não se firmou e daí entrou o Jailson, que nunca tinha trabalhado na Série A. Esse foi apenas um fator, mas claro que também precisa de muita sorte.

Durante duas oportunidades, Paulo Nobre mandava buscar Gabriel Jesus em avião particular após os jogos da seleção brasileira. Como foi trabalho o físico dele em ambas as ocasiões?

Ele é muito jovem e a natureza foi muito generosa com ele por ser rápido e se machuca muito pouco. Essa vinda dele para jogar no Palmeiras em menos de 48 horas tem muito a ver com o trabalho do próprio Palmeiras e também a pré disposição dele em querer jogar. Era avaliado uma série de fatores biológicos e junto com a facilidade de busca-lo em avião particular. Sempre tinha um fisioterapeuta com ele e fez com que ele jogasse sem se lesionar

Zé Roberto é um capitulo a parte no futebol brasileiro. Ele jogando ninguém dá a idade dele.

Zé Roberto também é um jogador favorecido pela natureza, mas ele sabe o quanto precisa se dedicar aos treinamentos e também na recuperação. O Cuca entendeu que o Zé precisava ficar fora de um jogo e ele também entendia isso. O Zé Roberto faz os trabalhos após os jogos os trabalhos de recuperação na própria casa e isso explica muito. Claro que ele fica de fora de alguns treinamentos pela idade, mas como é experiente, ele fica econômico e não se desgasta tanto. Ele sabe alguns atalhos do futebol.

O técnico Cuca não vai continuar para 2017 e o Palmeiras acertou a contratação de Eduardo Baptista para comandar a equipe no ano que vem. Acredita que o trabalho continuará no mesmo nível?

A gente teve o cuidado de não fazer nenhuma comunicação para que evitar qualquer problema. Conheço o trabalho dele, usa métodos modernos de trabalho e tive a oportunidade de conversar com ele somente depois que foi confirmada a sua chegada. Temos muito a crescer com a chegada e vai dar super certo.

Você já trabalhou em várias funções no futebol – técnico, dirigente, assistente. Isso te ajudou no futebol?

Ajudou muito. Trabalhei dois anos como gerente de futebol no Palmeiras com o [José Carlos] Brunoro e depois tive a chance de ser técnico do Brasília. Tem um olhar diferente de ser dirigente e somou muito em meu trabalho. Ainda bem que tive essas duas chances de trabalho que foram atípicas. Ainda bem que foi com o Brunoro.

Sua experiência como técnico foi no ano passado no Brasília que teve a inédita experiência de disputar a Copa Sul-Americana e ao mesmo tempo não estava em nenhuma divisão do Campeonato Brasileiro.

O Brasília disputou uma competição internacional e eles estavam sem série. Aqui nos perdemos por 1 a 0 em um gol que a bola bateu no morrinho e no jogo de lá, quando o Atlético foi comandando pelo Sérgio Vieira, nós tentamos colocar o time no ataque, mas não deu.

O calendário do futebol brasileiro é muito questionado pela quantidade de jogos e até por não estar adequado ao do futebol europeu. O que pode ser feito para também evitar uma debandada de jogadores no meio da temporada?

Temos que melhorar o nosso calendário, mas não acredito que adequar ao europeu seja o ideal. Em vez de tentar unificar o calendário, temos que ter alguma maneira jurídica para que os nossos jogadores não saíssem no meio do ano ou até reivindicar junto à FIFA que nenhum jogador deixe sua equipe no meio da temporada. O calendário precisa ser melhor pensado