A polêmica envolvendo o racha dos grandes clubes brasileiros com o Clube dos 13 continua. A entidade responsável por negociar os direitos de transmissão dos times reavaliou os preços, o que fez com que a Globo, emissora que transmite as partidas, abrisse mão de concorrer na licitação pública e optasse por negociar com cada clube, sem intermédio da instituição presidida por Fábio Koff.

Em entrevista à rádio Banda B, o presidente do Atlético e vice-presidente do Clube dos 13, Marcos Malucelli esclareceu os principais pontos de discórdia entre a entidade e os clubes. Segundo ele, a questão é muito política e envolve interesses de grandes corporações.

Início da discórdia

Uma resolução aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) extinguiu a exclusividade da Globo e definiu que as transmissões seriam divididas em cinco modalidades: TV aberta, TV fechada, pay per view, telefonia móvel e internet. Com isso, o Clube dos 13 foi obrigado a abrir licitação pública para cada uma dessas modalidades para todas as emissoras, em igualdade de condições.

A decisão não agradou às Organizações Globo, que antes compravam todo o pacote por R$ 400 milhões e, com a resolução, viram os preços dispararem. Marcos Malucelli conta que, após a decisão do Cade, foi designada uma comissão para avaliar os reais preços das transmissões e repassá-las ao vencedor do processo licitatório. A emissora, que já sinalizava não pagar a cifra pedida pelo clube, confirmou a decisão em nota oficial divulgada nesta sexta-feira.

“O Clube dos 13 nomeou uma comissão formada por Santos Atlético-MG, Bahia e Botafogo, para elaborar um projeto que mostrasse quanto valem esses jogos. Fizeram um comparativo com a Liga Americana, Europeia, um trabalho cuidadoso dequase 5 meses. Eles chegaram à conclusão de que o Campeonato Brasileiro teria que ser vendido pra TV aberta por 500 milhões”, afirmou o dirigente.

Globo sai da briga

A emissora, então, sentiu a alta no preço: antes pagava R$ 400 milhões por todo o pacote de transmissões e, com o preço reajustado, teria que desembolsar R$ 500 milhões para ter o direito a transmitir os jogos em TV aberta, somente. “Chegou-se à conclusão de que só com a TV aberta teríamos muito mais a receber. Isso feriuos interesses da globo. No entendimento da comissão, com as outras modalidades, arrecadaríamos R$ 1,3 bi por ano”, disse Malucelli.

A debandada dos times atende a um objetivo comum, solicitado pelos clubes: a divisão igualitária das cifras arrecadadas com os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Ao todo, seis clubes deixaram a entidade. Coritiba, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco anunciaram que vão negociar os direitos em separado. Já o Corinthians anunciou queirá se desfiliarda entidade.

“A questão vai além do que a gente imagina. É muito política e envolve interesses grandes. A CBF fez uma aproximação com o Corinthians e está ao lado da Globo. Os clubes ficam a reboque, porque é briga de gente grande”, destacou o vice-presidente, que disse não temer sobre o futuro do Altético-PR, clube que preside e que permanece no C13. “Não acredito em represálias, somos filiados há muito tempo com o Clube. Demos poderes a eles para negociar nossa cota de transmissão. Temos obrigação de cumprir nosso contrato”, finalizou.