Por João Pedro Alves e Felipe Dalke

O Paraná fez seu papel, venceu o São Bernardo por 3 a 1 na noite desta quinta-feira (10) e se classificou para a próxima fase da Copa do Brasil. Tudo isso, porém, foi ofuscado por mais um caso de racismo no futebol brasileiro. A vítima da vez é o volante Marino, do clube paulista, ofendido por torcedores paranistas enquanto deixava o gramado da Vila Capanema após ter sido expulso. O boletim de ocorrência por injúria racial foi feito ainda no estádio e a Delegacia Móvel de Atendimento ao Futebol e Eventos (Demafe) cuida do caso.

(Foto: Felipe Dalke/Banda B)

Marino foi à unidade da Demafe ainda no estádio e fez a denúncia das ofensas racistas (Foto: Felipe Dalke/Banda B)

O ato preconceituoso aconteceu nos últimos minutos da partida, quando Marino deu uma cotovelada no lateral Breno e recebeu o cartão vermelho. Enquanto o atleta se dirigia para os vestiários, dois torcedores que estavam no alambrado o insultaram e deram início a uma confusão. “Me chamaram de macaco. Primeiro foi um, aí  joguei o copo de água na direção dele. Outro, então, também me xingou”, explicou o são-bernardense.

Naquele momento, o motivo para o bate-boca não ficou claro. A situação só veio à tona após o apito final da partida, quando Marino voltou ao gramado bastante abatido e desabafou. “Tenho esposa, tenho filhos, todos da minha cor. O sentimento depois disso é de raiva, é lamentável”, disse ele.

As medidas cabíveis diante da gravidade do caso foram tomadas minutos após o ocorrido na unidade da Demafe presente na Vila Capanema. Marino foi ouvido, fez a denúncia das ofensas e a Polícia Civil deu início ao processo de investigação.

“É um fato lamentável. Já ouvimos o Marino e testemunhas, e o inquérito foi instaurado. Foi feito um boletim de ocorrência por injúria racial, cuja pena prevista é de um a três anos de prisão”, afirmou Fábio Lopes, delegado da Demafe, à Banda B. De acordo com ele, o Paraná Clube e veículos de imprensa já foram notificados e terão que ceder imagens do jogo para ajudar na identificação dos torcedores envolvidos.

Contactada pela reportagem da Banda B, a diretoria tricolor se colocou à disposição para ajudar como for possível. “O Paraná não compactua com essas atitudes e vai colaborar no que for necessário para que as pessoas sejam identificadas”, disse Celso Bittencourt, vice-presidente de futebol do clube.

A preocupação do Paraná é com relação às punições no âmbito esportivo que pode receber do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Em casos como esse, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) prevê até a exclusão da competição do clube envolvido. Tudo depende do trabalho da Procuradoria, responsável por fazer as denúncias de irregularidade.

“Se houver provas que isso aconteceu realmente, vamos avaliar. Aí sim poderá ser feita a denúncia. A pena depende da gravidade. São várias penas previstas: perda de mando, perda de pontos e até exclusão”, expôs Paulo Schmitt, procurador-geral do STJD à Banda B.

Algo que poderia servir como prova no Tribunal é a súmula da partida, o documento oficial do evento. Poderia, já que o árbitro Rodrigo D Alonso Ferreira não relatou nenhuma irregularidade.

O caso de Marino acontece em um momento em que o racismo vem aparecendo novamente no futebol brasileiro. O mais marcante deles foi o do volante Tinga, do Cruzeiro, que também foi chamado de macaco pela torcida do Real Garcilaso (Peru) em uma partida da Copa Libertadores da América no início de fevereiro.

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