Por Rodrigo Dornelles

Base forte, time forte, é nisso que aposta o Brown Spiders FA. A tradicional equipe de futebol americano de Curitiba não conseguiu grandes resultados na Superliga Nacional de Futebol Americano nesta temporada e já está eliminado da competição, mas vê bons jovens surgindo para o time principal e colhe frutos de seu trabalho nas categorias de base.

O surgimento de novos talentos da equipe de desenvolvimento garante a renovação do time e dá suporte para um futuro competitivo da equipe dentro dos cenários estadual e nacional. O exemplo do Spiders é na NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos, que recebe seus jogadores da NCAA, liga de universidades, a cada temporada.

“A base precisa ser vista como um ponto de renovação do elenco. Em sua maioria, são jovens que aparecem para dar um gás novo na equipe e isso é importante também para alavancar os mais experientes. Sem uma base sólida, dificilmente uma equipe conseguiria se manter no atual nível do FA (futebol americano) nacional. É só vermos o exemplo da NFL, que só consegue se manter em alto nível porque a NCAA está sempre produzindo atletas de alto rendimento. Investir na base é investir no futuro do esporte”, destaca o vice-presidente do Brown Spiders, Renan Hamman.

Spiders aposta em base forte. (Layza Tiemann/ Brown Spiders)

Spiders aposta em base forte. (Layza Tiemann/ Brown Spiders)

Nesse processo de renovação e surgimento de novos atletas, Hamman enxerga dois perfis bem distintos de possíveis jogadores. “Há os que conseguem absorver tudo o que os jogadores da equipe principal passam e os que são resistentes à instrução, algo que acontece quando o cara chega achando que já sabe tudo. No primeiro caso, há grandes chances de avanço rápido e sucesso na equipe. No segundo, infelizmente a tendência é que vejamos a desistência em poucos meses”, afirma o vice-presidente.

Sonho e aprendizado

Protagonistas nesse processo, os jovens jogadores da equipe de desenvolvimento do Brown Spiders começaram a ganhar espaço na equipe durante a Superliga Nacional. Um deles, o kicker Abner Renato conta que foi Adriano Fracaro, kicker principal do Spiders e dono do mais longo chute do Brasil quem lhe deu a notícia de que seria relacionado para o primeiro jogo do time na competição.

“Desde quando eu comecei a treinar, sonhava com esse dia, não esperava a hora de me ver ali, no campo. Quando eu recebi o convite do Fracaro para treinar com a equipe principal, aceitei sem pensar duas vezes. Foi dele também que recebi a notícia de que estaria relacionado para o primeiro jogo do time na competição. Por mais que meu desempenho não tenha sido o melhor possível, eu amei a experiência”, comenta Renato.

Abner Renato (à esq.) foi "puxado" por Fracaro (à dir.) para o time principal. (Arquivo Pessoal)

Abner Renato (à esq.) foi “puxado” por Fracaro (à dir.) para o time principal. (Arquivo Pessoal)

O aprendizado, segundo Abner Renato, não acaba. Ele ressalta o volume de conhecimento agregado no time principal e a importância dos mais experientes nesse processo. “Na equipe de desenvolvimento você aprende as coisas básicas do esporte, mas quando chega na equipe principal você fica perplexo com a quantidade de coisas que podem ser aprendidas, mas sem deixar de lado o básico que foi aprendido anteriormente. Muitas vezes há pequenos erros que atrapalham na execução perfeita de determinada coisa e é aí que entra o papel dos treinadores e dos mais experientes, pois eles conseguem perceber os erros e sabem como ajudar na correção deles”, avalia o kicker.

Auxílio dos veteranos

Faz parte da função dos mais experientes auxiliar os jovens na chegada deles ao time principal, além de passar experiência e ajudar nas correções de erros. “A gente passa muita experiência dos jogos, né? Coisas que a gente passa dentro dos treinos eles mesmo tiram as dúvidas lá, mas muitas vezes, como não são relacionados em jogos, a gente passa uma ou outra coisa pra eles ficarem mais ligados. Passamos como alguns atletas de outras equipes jogam, como fazer alguma técnica ou realizar alguma leitura do adversário. Passamos um pouco do que conhecemos para que eles já entrem tendo cada vez mais noção das partidas”, destaca Fabio Marques, linebacker do Spiders.

Vindo exatamente dessa equipe de desenvolvimento, Marques sabe das dificuldades encontradas nesse processo, mas também “agradece” à disposição trazida com os mais jovens. “Os mais jovens, sem dúvida alguma, vem pra agregar a disposição, não é? Eu também surgi da equipe de desenvolvimento, no começo do ano passado, sei como são os treinos e sei da vontade com que chegamos no time principal. Além dessa disposição, vem a competição por um lugar na vaga. A rapaziada vem sempre pra brigar por um lugar nos 53 relacionados nos jogos”, afirma o linebacker do Spiders.

Colhendo os frutos de um trabalho realizado na base, o Brown Spiders, um dos pioneiros do futebol americano no Brasil, segue fortalecendo o esporte no país. Apesar da participação abaixo do esperado na Superliga Nacional de 2016, o Spiders vê no investimento na base a possibilidade de seguir com um futuro competitivo e de auxiliar ainda mais no desenvolvimento do futebol americano no Brasil.

Base forte é aposta de futuro competitivo. (Paulo Roberto Tuleski/ Brown Spiders)

Base forte é aposta de futuro competitivo. (Paulo Roberto Tuleski/ Brown Spiders)