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Se o futebol é feito de números, 83 é um que a torcida do Atlético quer esquecer: esse foi o número exato de dias em que o Furacão amargou seu maior jejum de vitórias desde 1967. Quase três meses depois de bater o Rio Branco, ainda pelo Paranaense, o grupo finalmente voltou a saborear o gosto de vencedor. E, pra lavar a alma, o primeiro resultado positivo no Campeonato Brasileiro veio com toda a pompa e circunstância: dois gols de Morro García, maior contratação do futebol paranaense, que só precisou ter a bola nos pés para consolidar o placar de 2 x 1 sobre o Botafogo, na Arena da Baixada. (Ouça os dois gols de Morro García na narração de Jaques Santos)

De pressionado, o Rubro-negro teve competência para driblar a ansiedade e finalmente transformar chutes em gol e resultado.A vitória, porém, não tira o Furacão da última posição na classificação do Brasileiro, já que tem apenas cinco pontos conquistados. Na próxima quinta-feira (28), o time de Renato Gaúcho vai visitar o Ceará, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Gol importado

Geraldo Bubniak
Morro García foi o carrasco do Botafogo na Arena da Baixada

Sonolento nos primeiros minutos, o jogo trouxe um Atlético pouco inspirado e um Botafogo disposto a se recuperar após a derrota em casa para o Corinthians. Alexandre Oliveira levou perigo ao goleiro Renan Rocha, que, aos 12 minutos, vacilou na saída de bola e contou com a sorte para não levar gol. Sem movimentação, o setor de criação dos dois times se pautava nas falhas do adversário e os erros de passe acabaram por comprometer qualquer tentativa de arremate.

Foi na reta final que o Rubro-negro despertou pro jogo. E na dinâmica de se jogar no ataque a qualquer custo, o Furacão chegou ao gol aos 39 minutos, em um gol no melhor estilo uruguaio de Morro García. O atacante recebeu na área, girou e mandou bonito pro fundo da meta de Jefferson, mero espectador do golaço atleticano. Com o placar aberto, o Atlético se lançou ao ataque e Morro teve grande chance de ampliar, mas a bola caprichosamente tocou o travessão e foi pra fora.

Sem ser dono do jogo, Furacão vira dono do placar

Sem nunca ter vencido na Arena da Baixada, o técnico Caio Júnior mexeu no time para a etapa complementar, sacando Léo para a entrada de Somália. Na prática, a tentantiva do treinador foi pressionar o Atlético, principalmente com os alas do Bota, que se arriscaram mais no ataque com o apoio de Somália na marcação. Acuado, o Furacão optou por se fechar na defesa e chamou o time carioca para o seu campo. Escolha perigosa, que se materializou em grandes chances de empate para o Alvinegro.

Se, na defensiva, o Furacão só chegou aos 17, com Cléber Santana, que bateu de longe e quase surpreendeu Jefferson, no domínio das ações, o Bota trabalhava para madurar o gol de empate. Completamente livre de marcação, Alexandre Oliveira cabeceou e a bola encontrou o travessão rubro-negro. E, com muito mais sorte do que juízo, o Furacão saiu de pressionado para dono do jogo. Morro García aproveitou o cruzamento de Marcinho e balançou as redes pela segunda vez na Arena da Baixada.

Renan Rocha trabalhou firme na guarda da meta, mas não conseguiu evitar o gol de Alexander aos 43. O jogo pegou fogo nos minutos finais, mas o elenco soube se segurar bem para evitar qualquer surpresa desagradável e consolidar a primeira vitória do Atlético no Brasileirão 2011.

Confira as fotos da primeira vitória atleticana no Brasileirão: