Se dentro de campo o Paraná Clube vive uma boa fase, bem colocado entre os primeiros na classificação do Campeonato Brasileiro da Série B, fora dele, mais uma vez, as polêmicas envolvendo o atraso de salários dos funcionários seguem dando dores de cabeça para a administração tricolor. Depois do técnico Ricardo Pinto, hoje foi a vez dos funcionários do clube reclamarem a falta de pagamento: eles decidiram paralisar as atividades desta quarta-feira (25) e exigem um posicionamento do clube quanto aos dois meses de salário atrasado.

Um dos funcionários que fazem parte da paralisação e prefere não se identificar, afirmou que os atrasos são rotina no clube. O colaborador trabalha há mais de 10 anos nos bastidores paranistas e garante que vencimentos pagos em dia são raridade. “Nós estamos abandonados aqui, não temos ninguém. Falamos com o Aramis [Tissot] e ele nos disse que está montando o time de futebol. Falamos com o Celso [Bittencourt, vice-presidente financeiro] e ele respondeu que não é o presidente de futebol. Estamos sem patrão”, reclama o funcionário do clube.

O vice-presidente financeiro do Paraná, Celso Bittencourt, negou a existêcia da paralisação e confirmou que a prioridade do atual presidente Aramis Tissot é justamente a montagem de um time competitivo para devolver o Tricolor à elite. “O Aramis assumiu o clube por ser uma pessoa que melhor representa o Paraná Clube, por ser o primeiro presidente. A gente pediu pra ele assumir, com a condição de que ele tocasse o futebol e nós ficássemos focados nesses problemas financeiros que estamos trabalhando para resolver”, explica Bittencourt.

O empregado tricolor conta que Celso Bittencourt foi contatado na manhã desta quarta-feira e que, embora tenha pedido que os funcionários seguissem com os trabalhos, se comprometeu a enviar um representante para definir o impasse. Segundo ele, o único pedido do corpo de funcionários se restringe à normalização dos pagamentos e que, como todos têm muito tempo de casa, o objetivo não é prejudicar o clube. “A única coisa que a gente quer é receber. Entendemos a situação do clube porque todo mundo é funcionário antigo aqui. Nós não estamos sendo prioridade pra eles”, destaca. “A princípio só o pessoal do pátio está parado, mas se a gente não tiver uma satisfação, vai parar lavanderia, portaria, tudo”, garante o funcionário do clube,

Origem dos problemas

Não é novidade que as penhoras são a grande pedra no caminho do Tricolor da Vila Capanema. Com uma dívida de R$ 2,5 milhões com o Vitória, que move uma ação contra o time desde 2004, todo o valor arrecadado acaba não chegando aos cofres do clube. O vice financeiro, porém, garante que, pouco a pouco, as dívidas estão sendo pagas. “São coisas do passado que não se consegue resolver de um dia pro outro. Enquanto não tivermos solução pra isso, vamos conviver com situações de problema financeiro”, frisa

Uma luz no fim do túnel de dívidas do Paraná será liberação da verba vinda dos direitos de transmissão dos jogos. “Nós estamos recuperando o clube e de repente vamos levantar um monte de polêmica, Não vejo porque isso agora. só vai atrapalhar o processo”, ressalta Bittencourt. “Temos que ter o apoio dos funcionários”, emanda.

Patrocinador e Ricardo Pinto

Depois de ceder o empate para a Lusa, em casa, em 1 a 1, o técnico Ricardo Pinto desabafou e reclamou que, além de não ter assinado contrato, está sem receber seus vencimentos no clube. Celso Bittencourt explica que o patrocinador ficou responsável pelo pagamento dos salários do treinador até que conseguisse encaminhar o dinheiro ao clube.

Divulgação/Paraná Clube
Técnico desabafou depois do empate em 1 a 1 com a Lusa

De origem estrageira, o patrocinador estaria enfrentando problemas para enviar as cifras pré-definidas. Bittencourt confirma que o técnico tem um vínculo de tratativas, não formal, e que, como o patrocinador do clube também falhou no pagamento dos salários, o Paraná Clube chegou a pagar uma parcela do salário.

“Até agora não conseguimos receber do patrocinador, pela dificuldade de internar o dinheiro. Tivemos um bom diálogo, também estamos tendo problema, porque tiramos dinheiro de caixa. Estamos nos finalmentes com eles”, aponta. “Não existe nada no contrato do Ricardo Pinto vinculado ao patrocinador. Enquanto eles não conseguissem legalizar a entrada desse dinheiro pra nós, eles pagariam o treinador e o Juresko. Eles tem colocado algumas situações, mas não podemos esperar mais”, finaliza.