Neymar correu, deu passes, chamou o jogo, pediu dois pênaltis, vibrou muito no primeiro gol brasileiro, chutou ao gol, demorou para finalizar em outras e não conseguiu balançar a rede. Frio e letal, Messi marcou três gols, incluindo o decisivo em um chute perfeito no ângulo, e deu a vitória por 4 a 3 à Argentina sobre o Brasil, neste sábado, em Nova Jersey.

Impossível comparar jogadores de estilos diferentes, quatro anos e meio de diferença etária e trajetórias distintas no futebol. Correto dizer que hoje Messi mostrou-se mais fundamental para a seleção argentina do que Neymar para a Seleção Brasileira.

A própria estratégia dos treinadores contribuiu para explicar o desempenho dos dois maiores astros sul-americanos do momento. Com o Brasil mais agressivo, Neymar apareceu mais vezes no jogo. Se contra o México pecou pela individualidade, hoje distribui passes movimentou a bola e foi preocupação constante dos argentinos. Mas na última bola, levou uma aula de Messi.

O argentino estava sumido no jogo. Com Sabella adotando uma postura mais cautelosa, com a Argentina especulando o erro brasileiro, Messi participava da partida muito menos do que no Barcelona, time que alta média de posse na Espanha. Pela seleção, o meio-campista não teria direito a erro. Teria que ser preciso quando surgisse a oportunidade.

E assim foi, duas vezes, em contra-ataques rápidos argentinos. Virou o jogo – o Brasil havia aberto o placar com Rômulo -, em duas arrancadas características, definidas com frieza e oportunismo. Por outro lado, Neymar teve quatro chances no primeiro tempo, nenhuma tão clara como a do rival: errou na pontaria em dois chutes da entrada da área, foi travado em um e foi derrubado no outro.

Na segunda etapa, Neymar caiu de rendimento. Messi parecia o mesmo. Em jogo disputado em alta voltagem, o argentino decidiu entrar em ação de novo. O placar mostrava 3 a 3, e chegava a hora de decidir. O argentino não rateou. Dominou a bola na intermediária, fintou para dentro e acertou o ângulo de Rafael. Aplausos merecidos.

Messi ganhou seu terceiro jogo contra Neymar, todos como protagonista. No 1 a 0 entre as seleções em 2010, fez o gol da vitória nos acréscimos. Quando o Barcelona goleou o Santos na final do Mundial de Clubes, melhor jogador em campo e 4 a 0 no placar. Hoje, deu uma aula de futebol de como ser decisivo sempre que tocar na bola.