Por Rodrigo Dornelles com informações de Felipe Dalke e Leandro Requena
Vanderlei Cordeiro de Lima concedeu entrevista à Banda B. (Banda B)

Vanderlei Cordeiro de Lima concedeu entrevista à Banda B. (Banda B)

Uma figura história do esporte mundial conversou com a Banda B na noite desta quinta-feira (25). O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima concedeu uma entrevista à Rádio do Coração durante uma feira de imóveis em Curitiba. O paranaense falou sobre a emoção de acender a pira olímpica na abertura da Rio 2016, o legado da Olimpíada no Brasil e também sobre as polêmicas declarações do padre que entrou em seu caminho em Atenas 2004.

Ídolo do esporte brasileiro e do mundo, Vanderlei Cordeiro de Lima elogiou a Olimpíada sediada no Rio de Janeiro e entende que o legado da competição é para os próximos ciclos olímpicos. “É importante, o país sediar os Jogos Olímpicos, é a competição mais importante no cenário mundial. É promover o esporte e o mais importante, diversificar as modalidades no país. Medalhas que nuca se esperava que se pudesse conquistar foram conquistadas. Temos um potencial muito grande no esporte olímpico. É abrir os olhos para continuar com o investimento que o esporte está tendo. O grande legado da Rio 2016 para mim é o ciclo 2020-2024 dentro do planejamento e da continuidade do investimento que está tendo”, afirmou o maratonista.

Na abertura da Olimpíada, o paranaense teve a honra de acender a pira olímpica no Maracanã, decisão que foi tomada pouco tempo antes da cerimônia de abertura. “Recebi (a notícia de que iria acender a pira) horas antes da cerimônia, eu estava participando da cerimônia de abertura, mas em outro momento, já tinha ensaiado para conduzir a bandeira olímpica no juramento dos atletas. Me pegou de surpresa, mas para mim foi muito gratificante. Poder viver aquele momento, todos atletas gostariam com certeza de estar no meu lugar, representar eles, representar a nação foi uma grande coroação”, disse Vanderlei Cordeiro de Lima.

Paranaense recebeu a honra de acender a pira olímpica na Rio 2016. (Banda B)

Paranaense recebeu a honra de acender a pira olímpica na Rio 2016. (Banda B)

Medalhista de bronze em Atenas 2004, Vanderlei poderia ter uma medalha de ouro olímpica, não fosse o padre Cornelius Horan, que invadiu a pista e atirou o brasileiro ao chão. Com auxílio do grego Polyvios Kossivas, que assistia à prova, ele se reergueu, terminou em terceiro e comemorou o bronze como se fosse ouro. O espírito esportivo de Vanderlei Cordeiro de Lima lhe rendeu a maior honraria do esporte, a Medalha Pierre de Coubertin.

Recentemente, quando o brasileiro foi o escolhido para acender a pira olímpica, o padre irlandês deu declarações afirmando que Vanderlei lhe devia desculpas porque sem ele, não seria ninguém. O paranaense comentou as palavras do padre. “Ele deu uma declaração recente, na verdade não tenho resposta para a atitude dele. Se eu me manifestasse eu estaria indo de encontro ao grande propósito dele, que é se promover, aparecer. Estamos vivendo um grande momento no esporte no país, temos que dar valor ao que temos aqui, não aquele maluco lá, que é um oportunista. Nunca me magoei, não tenho nenhum tipo de ressentimento. As pessoas ainda me abordam ‘você não é o cara do padre’? Agora eu sou ‘o cara da tocha’, mudou para melhor. Eu acho que não tem como fugir da história, aconteceu, é fato, o mundo inteiro fala, mas o mais importante é tirar as coisas positivas, o que você representa para a sociedade, para o esporte. Eu nunca deixei de ser o Vanderlei por causa do padre”, declarou Vanderlei Cordeiro de Lima.

O paranaense ainda destaca a importância de os atletas tomarem cuidado com suas atitudes dentro e fora das competições. “Nós não somos exemplo só na competição, somos fora também, a gente tem que tomar cuidado em algumas situações. Muita gente está olhando para gente, quer ser como a gente, então a gente tem que saber por onde anda e ver os bons exemplos”, afirmou Vanderlei Cordeiro de Lima.