Maradona é o novo embaixador da FIFA. (Divulgação)

Um dia após Diego Maradona ter anunciado que iria trabalhar para a Fifa, a entidade oficializou nesta sexta-feira o astro argentino como o seu mais novo embaixador. O ex-jogador de 56 anos, antes um dos maiores críticos ao organismo que controla o futebol mundial, adiantou na última quinta que iria prestar serviço à Fifa por considerar que a mesma se tornou “limpa e transparente” depois que passou a ser presidida por Gianni Infantino, sucessor do banido Joseph Blatter.

E, ao oficializar Maradona no posto de embaixador, a entidade ressaltou nesta sexta que o ídolo argentino participará de “projetos relevantes de desenvolvimento” e enfatizou que o mesmo “tem um papel importante em atividades da Fifa para promover o futebol no mundo”.

Entre outras coisas, Maradona também integrará uma equipe de lendas da história do futebol que a Fifa está montando e deve marcar presença em vários cantos do planeta para difundir ainda mais a modalidade, assim como para criar uma imagem mais simpática e positiva de sua atual gestão, por meio de eventos promocionais.

Capitão e grande nome da seleção argentina que foi campeã do mundo em 1986, no México, Maradona foi um crítico feroz da gestão de Blatter, assim como não teve medo de bater de frente com Julio Grondona, ex-presidente da Associação Argentina de Futebol (AFA) e que também era um dos ex-presidentes da Fifa antes de morrer em 2014.

Porém, após Blatter ter renunciado à presidência da Fifa logo depois de ter sido reeleito para um novo mandato em 2015, quando o mandatário se viu combalido em meio a um grande escândalo de corrupção, o astro argentino começou a se aproximar da entidade e agora se tornou um membro da mesma, apesar do fato de já ter chamado Infantino de “traidor” e manifestado apoio à candidatura ao príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein no pleito que acabou elegendo o dirigente suíço como novo presidente.

No mês passado, Maradona disputou um jogo promocional de futebol na sede da Fifa, em Zurique, em sua primeira visita ao local desde novembro de 2009, quando foi julgado em uma audiência disciplinar por causa de uma série de declarações polêmicas que deu após um jogo da seleção argentina, da qual era o técnico na época. Por causa da sua atitude, o ex-jogador foi punido e foi impedido de participar do sorteio que definiu os grupos da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

Sem inicialmente contar com o apoio de Maradona em sua candidatura à presidência da Fifa, Infantino teria começado a contornar as diferenças entre os dois em junho do ano passado, após um encontro em Paris, e depois, em janeiro, o próprio astro argentino manifestou publicamente que estava à disposição da entidade para colaborar para o “que quer que Infantino precisasse”.

O suíço estreitou a sua relação com Maradona também por adotar uma estratégia de convocar grandes nomes da história do futebol mundial para ajudar a criar uma nova identidade para a Fifa, altamente abalada pelo escândalo de corrupção que resultou na saída de Blatter e na prisão de uma série de dirigentes que eram membros da entidade, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin.

Na última quinta-feira, por meio de suas redes sociais, Maradona postou uma foto ao lado de Infantino e em um trecho da mensagem que escreveu ele ressaltou: “Finalmente posso cumprir um dos sonhos da minha vida, trabalhar por uma Fifa limpa e transparente, com pessoas que realmente amam o futebol. Obrigado a todos que me apoiaram para enfrentar este novo desafio!”.

COMEÇO DE UMA NOVA ERA – A confirmação de Maradona como embaixador marca o fim de uma série de rusgas com a Fifa que começaram ainda quando ele era jogador e ganharam força com a exclusão do astro da Copa do Mundo de 1994, então por motivo de doping.

Na época, o genial camisa 10 caiu em uma exame antidoping logo após defender a Argentina com brilho nas duas primeiras partidas daquele Mundial, mas o craque maior da história do futebol do seu país garantiu que não havia consumido qualquer substância proibida e acusou a entidade de armação.

Ali começou um longo período de rompimento com a Fifa, no qual Maradona passou a ficar fora de festas organizadas pela entidade e não poupou críticas às gestões que se sucederam por anos, sendo que tinha Blatter como seu principal alvo e acusava o suíço de liderar uma “máfia” à frente do organismo.