Por João Pedro Alves

Considerado quatro vezes o melhor jogador de futsal do mundo e um verdadeiro ícone do esporte, o habilidoso Falcão não defenderá mais a Seleção Brasileira. Mas diferente do que poderia se imaginar, a decisão não foi tomada pelo fim do ciclo natural do craque de 36 anos com a camisa amarela. O que levou o eterno camisa 12 a pedir baixa é a forma a qual a modalidade é gerida pela Federação Brasileira de Futsal (CBFS), que ele considera uma verdadeira ditadura.

(Foto: Divulgação)

Bicampeão mundial, Falcão não veste mais a camisa canarinho (Foto: Divulgação)

O anúncio da aposentadoria da Seleção foi feito na tarde desta quinta-feira (20) em entrevista ao programa “Arena SporTV”, do canal fechado SporTV. “É uma decisão triste e vou deixar bem claro que não é só minha. Todos os últimos campeões do mundo, de 2008 e 2010, estamos juntos nessa. Vemos a cada ano que passa o futsal andar 20 anos para trás”, desabafou Falcão, após 16 anos defendendo as cores do país.

Um dos principais alvos do ala canhoto foi Edson Nogueira, diretor de seleções da CBFS desde janeiro do ano passado. “Da forma que está hoje não faço questão de ir (para a Seleção), não tenho mais prazer de ir, muitos não têm. Cheguei a jogar um Mundial com AVC, com um lado (do rosto) paralisado, assumi a responsabilidade e nem um ‘muito obrigado’ recebi. É muita frieza, muita coisa contrária aos atletas. É triste”, disse.

As críticas à CBFS foram tantas que renderam um dossiê feito por um grupo de atletas encabeçado por Falcão. Entre elas, foi destacada a estrutura precária que os selecionáveis têm que enfrentar devido à falta de investimento da entidade que comanda o futsal no Brasil.

“Chegou ao ponto de a gente concentrar no centro de treinamento em Fortaleza e não ter TV no quarto e nem internet, porque não tinham pago as contas. Ficamos praticamente como prisioneiros”, lembrou o craque, pedindo mudanças. “A gente espera que o futsal vá para mãos certas, que tenham pessoas focadas no esporte. Não em tornar uma ditadura, que é o que vem acontecendo”, completou.

Sem a Seleção Brasileira, pelo menos enquanto a diretoria atual da Confederação estiver no poder, Falcão volta o foco agora apenas para o Sorocaba, clube que defende desde o início do ano.